Ao passo que o metro quadrado médio ofertado na capital em 2012 custava R$ 7.156, ele não passava dos R$ 6.166 na Vila Prudente e de R$ 5.215 no Butantã. Mais distante, em São Miguel Paulista, o valor não superava os R$3.841. “O mercado tem de ir a um lugar com preço mais baixo de terreno”, diz o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Claudio Bernardes.
O movimento de expansão do mercado tem mudado a paisagem e a rotina dessas aglomerações periféricas, comumente ocupadas por casas – unidades unifamiliares por excelência. Situação da Casa Verde, sexta no ranking de 2012, com 806 unidades distribuídas em 13 empreendimentos. Por lá, a predominância de novos produtos é de imóveis de dois e de três dormitórios.
“No perfil dos imóveis lançados, os de dois e de três dormitórios são os campeões de venda por causa da faixa etária mais comum dos consumidores, entre 35 e 45 anos. Há um espectro de valores para essas unidades, e a demanda maior é nos empreendimentos mais baratos, que ficam onde os terrenos têm preço mais baixo”, diz Bernardes.
Em regiões em crescimento e próximas de áreas mais valorizadas, como o bairro da Penha, vizinho do Tatuapé, essa tendência se confirma e com uma característica peculiar: os apartamentos destacam-se pelas metragens compactas. Em dezembro, incorporadora a You,Inc lançou, por exemplo, um edifício de apartamentos de dois dormitórios com 49 m² e de três dormitórios com 66 m².
“A maioria dos compradores do You,Inc Penha é da microrregião de Cangaíba. Quem vem de trás quer estar mais perto dos bairros desejados”, diz o gerente de marketing da companhia, Daniel Berrettini. Segundo ele, a mesma planta do empreendimento foi utilizada em outros projetos da You pela cidade, como em Pirituba, na Saúde, no Jardim Marajoara e na Vila Maria.
O superintendente de atendimento da imobiliária Habitcasa, Leandro Caramel, afirma que esse processo de verticalização encontra público especialmente entre jovens casais ou pessoas com pretensões de constituir família e consumidores com renda ascendente, em geral com ligações afetivas ou de convivência com o bairro em questão. “Na Vila Prudente, o cliente não quer ir para a Mooca, que é mais caro. Na Freguesia do Ó, não quer passar a ponte sobre o Rio Tietê para seguir para a Lapa”, diz.
Criada na Penha, a servidora pública Danielli Guirado, de 25 anos, adquiriu no fim de janeiro uma unidade de R$ 289 mil com dois dormitórios atraída pela familiaridade que tem com a região e pelo preço, embora trabalhe no Butantã, do outro lado da cidade. “Está muito caro no centro e na zona oeste”, conta a jovem, que pretende morar no imóvel com o atual namorado. “Pesou o fato de haver uma lotação que passa na frente de onde o prédio estará.”
De acordo com o presidente da Eugênio Marketing Imobiliário, Carlos Valladão, a localização dos imóveis está entre as prioridades dos compradores. “Esse público quer segurança de vida como primeiro ponto, ter um teto próprio, uma base. Depois, vê se o prédio está em um bom endereço em termos de acessibilidade. E então vê o que o empreendimento oferece como itens de lazer”, explica.
O conforto, de acordo com Caramel, da Habitcasa, tem forte apelo de venda neste segmento. O executivo lembra, no entanto, que o poder aquisitivo dos clientes muitas vezes limita a sofisticação dos edifícios lançados.
“Em áreas ainda mais periféricas da cidade (caso de São Miguel Paulista, na zona leste da capital, é preciso fazer um produto que seja adequado à renda da comunidade. Normalmente, os edifícios têm apenas dois dormitórios e são mais simples, muitas vezes sem elevador.”
Na zona leste, por exemplo, o edifício More Mais Cidade Tiradentes, da empresa ECM5, abriu mão da sacada nas suas compactas unidades populares – a dependência é quase obrigatória em lançamentos de padrão mais elevado. A mesma caraterística se repete no pré-lançamento Ello Home Club, da construtora Atua, no bairro de Itaquera. Ainda assim, ambos os empreendimentos não dispensam os itens comuns de convivência, como piscina e salão de festas.
Fonte: Obra24horas
