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26 setembro 2013

Arquitetura Brasileira marca presença em Frankfurt

Projeto conjunto com o Instituto Tomie Ohtake e a revista Monolito, a exposição apresenta os trabalhos de jovens e promissores nomes da arquitetura brasileira: Arquitetos Associados, BCMF Arquitetos, Carla Juaçaba, Corsi Hirano Arquitetos, Jacobsen Arquitetura, Metro, Nitsche Arquitetos Associados, Rizoma Arquitetura e Studio Paralelo. 

O evento tem a organização do Instituto Tomie Ohtake, em parceria com o editor da revista Monolito, Fernando Serapião, que levará uma edição especial do veículo. Com curadoria de Peter Cachola Schmal, Anna Scheuermann e Ricardo Ohtake, a exposição fica no DAM até 12 de janeiro de 2014.

Talentosos arquitetos da nova geração de nove escritórios de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre – daí o nome da exposição “Nove Novos” – são unânimes em afirmar que esta é uma oportunidade única para levarem parte da arquitetura brasileira para fora do País.

Pedro Nitsche, um dos convidados, diz que participar da exposição é algo inestimável, pois haverá troca de experiências e enriquecimento do diálogo em torno da Arte e Arquitetura, para que as ideias e os pensamentos floresçam. O presidente do escritório paulista Nitsche Arquitetos Associados levará para a Alemanha dois projetos: a Residência, em Iporanga, e o Edifício Comercial João Moura. Ele ressalta que experiências como essa são extremamente positivas e, portanto, um grande estímulo para a arquitetura brasileira.

O escritório paulista Corsi Hirano Arquitetos também estará na “Nove Novos” em Frankfurt, com os projetos do TRT Law Courts Complex e a AV Houses. Daniel Corsi salienta o prestígio e o compromisso envolvidos em acontecimentos desse porte.

“Acreditamos que a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável devam estar sempre presentes em nossos projetos. O reconhecimento e a oportunidade de representar a arquitetura brasileira são fatos muito importantes”, afirma. 

Os projetos Casa ML (Porto Feliz), Museu de Arte do Rio (MAR) e Casa JN habilitaram a participação do escritório carioca Jacobsen Arquitetura – com atuação em São Paulo – a juntar-se aos outros arquitetos convidados.

Os jovens profissionais do escritório mineiro Arquitetos Associados estão ansiosos para ampliar o debate em torno da cultura e da produção arquitetônica brasileira atual. Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Carlos Alberto Maciel, Paula Zasnicoff e Bruno Santa Cecília formam a equipe responsável pelos projetos do Centro Educativo Burle Marx, Estúdios Terra e Pavilhão Miguel Rio Branco. 

“A arquitetura latino-americana recente tem provocado grande respeito por parte dos europeus. Há um forte interesse deles em avaliar a arquitetura moderna e os novos rumos da geração mais jovem”, observa Bruno Santa Cecília.

Outro representante das Minas Gerais é o escritório BCMF Arquitetos, responsável pelo projeto de remodelação do Mineirão, pelo Centro Nacional de Tiro Esportivo - PAN 2007 e pelo Projeto Bar Casa Cor. Bruno Campos está animado para participar. 

“Depois de muitos anos de crise no Brasil, com uma produção limitada e pontual, as condições do País parecem estimular e refletir na nova arquitetura local. Expor em Frankfurt é uma excelente oportunidade, porque o evento será um catalisador de intervenções de qualidade, de melhorias na infraestrutura, além de alcançar status internacional e acelerar a regeneração urbana”, avalia. 

O mineiro Rizoma Arquitetura também irá marcar presença em Frankfurt. Responsável pelos projetos Galeria Lygia Pape, Loja Botânica e restaurante Oiticica, o objetivo do escritório na exposição é mostrar que o Brasil está produzindo uma arquitetura jovem e com características próprias.

Luciano Andrades, arquiteto do Studio Paralelo, de Porto Alegre, salienta que iniciativas como a mostra “Nove Novos” são muito importantes, pois possibilitam que o trabalho de escritórios novos e emergentes fique conhecido no cenário nacional e internacional.

Idealizador do prédio CREA, da residência Xangrilá no litoral gaúcho e do MINIMOD, um protótipo de módulo mínimo habitável de 24m², Andrades e seus sócios Rochelle Castro e Silvio Machado estão ansiosos. 

“Em um país com tantos profissionais de alto nível, é uma honra fazer parte desse grupo e estreitar relações com os colegas”, afirma Andrades. 

A participação brasileira em Frankfurt tem a organização dos ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Fundação Nacional de Artes (Funarte) e Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Fonte: Obra24horas
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11 setembro 2013

Cores vivas: grafite ganha espaço na decoração

Não é de hoje que o grafite vem assumindo lugar de destaque no conjunto das expressões artísticas contemporâneas. 

Nascido nas ruas e alçado ao status de obra de arte, ele já pode ser apreciado em espaços antes restritos, como galerias e museus. Mais recentemente, a arquitetura e o design de interiores também se renderam aos sprays. A nova sede do Grupo de Apoio à Criança com Câncer do Amazonas (GACC), é um exemplo de como a decoração assimilou esse estilo urbano.

Os corredores e acessos da instituição ganharam novas cores graças ao trabalho voluntário de dez grafiteiros da Point Paint Graffiti Shop. Segundo o proprietário da loja, Rodrigo Pot, essa é uma tendência que vem crescendo em Manaus. “O trabalho do grafiteiro agrega muitos valores ao espaço, porque é feito de uma forma personalizada para ser uma obra de arte, de modo que nenhum seja igual ao outro”, explica Pot.

“Os corredores brancos viraram verdadeiras telas para o trabalho deles. O grafite trouxe uma vida nova para o interior do abrigo”, ressalta Edmar de Oliveira Andrade, representante da Casa da Criança, projeto social que ajudou a promover a ampliação do GACC. De acordo com ele, as mudanças vão garantir que o espaço dobre a sua capacidade de atendimento.

A ação social da Point Paint em parceria com o GACC prevê, ainda, a pintura de toda a fachada da instituição. “Para a inauguração, vamos fazer uma pintura provisória, que depois será completada. Vai ser o primeiro prédio da cidade grafitado por dentro e por fora”, destaca Pot. 

Sofisticado

Para o arquiteto Achilles Fernandes, assim como a tatuagem, o grafite foi desmistificado e caiu no gosto de quem procura por sofisticação. “Depois da novela ‘Cheias de Charme’, as pessoas passaram a ver essa arte com outros olhos. Hoje, ela já é usada em casas, áreas de lazer, cinemas, bares, dentre outros. Alguns projetos, inclusive, substituem o papel de parede pelo grafite”, explica.

O espaço assinado pelo arquiteto na Casa Cor do ano passado, por exemplo, também levou a marca de Rodrigo Pot, que retratou a cantora Amy Winehouse em uma das paredes do “Lavabo de Festa”. “É um recurso que deixa o ambiente com um ar mais descolado e contemporâneo”, justifica Achilles.

Praça sofre abandono

Obras de grafiteiros locais também podem ser vistas em espaços como a Praça Aurora Machado (acima), na av. Umberto Calderaro, e na fachada do Nativos Bar, no Centro. O primeiro ponto, no entanto, vem sofrendo com o abandono e o acúmulo de lixo. 
Segundo o escritor de grafite Diogo Lúcio (Paradise), sete meses depois de inaugurada, a praça não tem recebido manutenção regular. “Nossa intenção era transformar o espaço em um ponto de encontro para os adeptos da arte urbana, mas isto não está sendo possível”, declarou.

De acordo com o Implurb, a limpeza, replantio e administração da praça são responsabilidades do Hotel Da Vinci. Até o fechamento desta edição, o hotel não havia se posicionado a respeito.

Grafiteiros fazem sucesso no exterior

“Os Gêmeos” é uma dupla de grafiteiros de São Paulo. Seus trabalhos estão presentes em diferentes cidades dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Grécia, Cuba, dentre outros países. Em 2008, os brasileiros ajudaram a executar a pintura da fachada do museu londrino Tate Modern para a exposição “Street Art”.

Fonte: Obra24horas
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28 agosto 2013

Cores na decoração em espaços pequenos

Em pequenas habitações ou divisões da casa pequenas, as cores com que se decora e pinta o interior têm grande influência no espaço perceptível. Embora o espaço não se modifique, a cor usada na decoração pode fazê-lo parecer maior ou menor. 

Se gostar de 2 cores isso não significa que juntas resultem bem. As cores têm características próprias que devem ser levadas em consideração quando se pinta um espaço, especialmente quando se deseja criar uma certa atmosfera numa divisão da casa. 

Os espaços menores, quando pintados e decorados requerem certas especificidades. O risco de não considerar o tamanho da divisão quando se selecionam as cores, é acabar com uma divisão ainda menor e mais confusa do que antes de a ter decidido decorar com cor. Se gosta de cores para pintar as paredes, então ficam os seguintes conselhos quando pintar uma divisão da menor da casa: 

Mantenha as coisas simples 

A regra de manter as coisas simples é uma regra na maioria dos casos, especialmente no que toca à decoração. 

Num espaço interior pequeno, a regra é que deve evitar a decoração complicada ao máximo. Nas paredes, teto, carpetes e chão, não use cores muito gritantes, opte por cores pastéis claras, o mais neutras possível. 

Se pretender, pode usar uma cor para as paredes e outra para o teto. Se quiser usar tapetes ou carpetes, escolha algo simples sem motivos decorativos e neutro, sem grandes relevos. Da mesma forma, evite o papel de parede com grandes padrões, e opte por um papel de parede neutro e simples. Isto tudo para evitar chamar a atenção para a pequena dimensão do espaço. 

Cores escuras mais próximas do chão 

Se optar por diversas cores ou padrões mais forte de cor, opte por deixar as cores mais escuras em baixo e as mais claras mais perto do teto. 

Isto inclui os carpetes e o chão. Se estivermos a falar de um WC que tenha azulejos no chão azul-marinho, os da parede devem ser sempre mais claros, um azul celeste, ou um azul água pode ser a solução. 

O esquema de cores deve terminar sempre com o teto branco ou num tom mais claro que todos os usados abaixo. Regra geral, os espaços que têm paredes mais escuras que o chão tendem a parecer caixotes sem fundo. 

Opte sempre por cores que iluminem 

A regra básica para decorar um espaço pequeno é mantê-lo com um aspeto luminoso porque os espaços escuros tendem a parecer menores do que de fato são. 

Quanto menor as divisões de uma casa forem, tais como salas de banho/banheiro, ou espaços menores como o escritório, mais cuidado se deve ter na escolha das cores da decoração. 

Não existe necessidade de os fazer ainda menores do que eles já são, pintando-os com cores escuras. Se pretender usar várias cores, certifique-se que a cor mais escura fica sempre na zona inferior da divisão e que a cor mais escura não é a cor mais dominante no espaço.

Fonte: Fórum da Construção
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27 agosto 2013

Arquitetura, como fazer bonito, barato e com bom gosto

A arquitetura é a forma de se estudar ou desenvolver projetos de utilização do espaço para a construção de ambientes, seja para uma casa ou para um prédio comercial. O estudo de como fazer a divisão de cada espaço a ser utilizado pode fazer com que um projeto não tenha uma utilização pouco otimizada. 

Na atualidade os projetos são a forma inicial do estudo de uma obra. Entre os profissionais da arquitetura o arquiteto possui a forma mais direta de trabalho nesse sentido para todos os desenvolvimentos de suas atividades inclusive na forma de acompanhamento. 

O desenvolvimento de um projeto arquitetônico seja de casas ou outras edificações, permitem com que uma construção possa ser mais econômica ao invés de se gastar muito mais do que se precisa.

Arquitetura deve ser vista como uma ferramenta para que as construções possam ser feitas e concebidas para uma finalidade especifica, seguindo uma linha de apresentação a qual chamamos de estilo arquitetônico. 

Nem sempre essa linha de desenvolvimento é seguida, muita casa são projetadas com a simples finalidade de fazer com que uma obra possa fazer com que as aspirações primariam do proprietário possa ser realizada. Mas os profissionais da arquitetura deveriam verificar sua missão de forma mais completa onde deveriam mostrar as pessoas todas as oportunidades que a arquitetura pode proporcionar para o desenvolvimento de uma edificação. 

Arquitetos e engenheiros podem fazer com que os espaços possam ser utilizados e ou reutilizados para um melhor aproveitamento de em cada uma das opções que sua atividade coloca em utilização na atividade prática da casa ou do estabelecimento comercial. Ainda existem as arquiteturas industriais, que tem em sua constante mudança de layout em fabricas e outras atividades fabril, estudos específicos para esse seguimento vem sendo cada vez mais utilizados. 

Nesse nicho de mercado as estruturas metálicas e as estruturas pesadas de concreto poderiam inibir as criatividades muitas vezes colocadas à prova. Mas a grande infinidade de elementos arquitetônicos permite a criação sempre inimaginável de inúmeros exemplos dessa arquitetura voltada para a base produtiva das grandes nações. 

A arquitetura não deve ser vista como inibidora, mas sim como produtora de oportunidades de melhorar sempre.

Fonte: Fórum da Construção
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Casa-museu idealizada por curador suíço atrai milhares de visitantes no Brasil

Na capital paulista, Obrist, que atualmente é curador da Serpentine Gallery de Londres e foi eleito em 2010 o nome mais poderoso do mundo das artes pela publicação especializada inglesa “Art Review”, escolheu uma construção que é considerada um ícone entre amantes e profissionais das artes e da arquitetura: a Casa de Vidro, projetada em 1950 pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi, que ali viveu e trabalhou por quase toda sua vida. A exposição foi organizada em parceria com o Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, e o retorno do público brasileiro foi animador.

Complementação artística concebida por Obrist para a Casa de Vidro, a exposição “O Interior está no Exterior” foi encerrada em 30 de maio após oito meses de uma exibição que atraiu, segundo seus organizadores, cerca de cinco mil visitantes. A casa-museu paulistana, construída de forma a interagir com a Mata Atlântica que a rodeia, abrigou uma exposição que foi montada progressivamente, com a inclusão gradual das obras de 34 artistas internacionais e brasileiros. Segundo o curador suíço, “todos, de alguma forma, ligados ao universo criativo de Lina Bo Bardi”. 

Na primeira parte da exposição, batizada como “Prelúdio”, a Casa de Vidro recebeu obras dos artistas Gilbert & George, Douglas Gordon, Kazuyo Sejima, Alexander Calder, Cildo Meirelles, Waltercio Caldas, Paulo Mendes da Rocha e Cinthia Marcelle, entre outros. Ao longo dos meses, foram acrescentadas obras dos artistas Norman Foster, Pablo León de la Barra, Koo-Jeong-a, Olafur Eliasson, Dominique Gonzales-Foerster, Ernesto Neto e Renata Lucas, entre outros.

Uma parte da exposição foi montada no SESC Pompéia, edifício projetado por Lina Bo Bardi, assim como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), considerado a sua maior obra. O SESC Pompéia recebeu obras e instalações de Dan Graham, Adrian Villar Rojas, Pedro Barateiro, Ernesto Neto e José Celso Martinez Corrêa. 

A presença dos artistas que visitaram a Casa de Vidro nesses oito meses foi uma atração à parte no projeto imaginado por Obrist. Os visitantes que mais chamaram a atenção da imprensa brasileira foram o italiano Gilbert Proesch e o inglês George Passmore, mais conhecidos como a dupla Gilbert & George, que fez enorme sucesso no Brasil há 32 anos, durante a 16ª Bienal de São Paulo, com suas performances e esculturas vivas. 

Em entrevista ao site Blouin Artinfo, especializado em arte, Obrist explica o conceito de seu trabalho: “Em primeiro lugar, quando uma exposição acontece em um espaço doméstico, a escala é muito diferente e produz trabalhos muito mais íntimos. Não é que os artistas trazem trabalhos para decorar a casa, mas eles trabalham no contexto que acreditam ser necessário. Muitos desses trabalhos são intervenções contextuais. Eles acrescentam uma outra camada”, diz.

Arte na cozinha

Hans Ulrich Obrist começou a ganhar fama há pouco mais de 20 anos, graças a uma exposição que montou na cozinha de sua casa em Zurique. Batizada como “Sopa do Mundo”, a original e então inédita exposição reunia obras dos artistas suíços Fischli & Weiss e do francês Christian Boltanski: “Interagir com as casas pode ser um exercício muito estimulante para o artista. É interessante para o artista poder mostrar sua obra em um contexto bem específico e pouco usual”, diz o curador suíço.

Ele se recorda do início da carreira: “De alguma forma, é preciso que haja experiências diferentes ou espaços diferentes. A experiência que eu tive no começo na cozinha não deve ser perdida. Todas as minhas experiências seguintes estão sempre se conectando com a primeira exposição de alguma forma”.

Arquitetura

Uma das metas da obra de Obrist é mesclar arte e arquitetura, como o curador suíço vem fazendo na Casa de Vidro em São Paulo: “Arte e arquitetura são dois mundos diferentes, embora muito conectados. A conexão sempre houve nessa casa, por motivos óbvios: era a casa de um diretor de museu, vinham artistas, escritores também, é fascinante que todas essas disciplinas tenham interagido aqui”. 

Lina Bo Bardi, na opinião do suíço, que a define como “a arquiteta dos artistas”, é a mais perfeita tradução da união entre os dois campos criativos: “Um exemplo disso é que na Casa de Vidro existem mais de dez mil itens colecionados por Lina, como quadros, desenhos, fotos, joias e móveis”, diz. 

O suíço ressalta o conceito de imaterialidade que permeia a obra de Lina Bo Bardi e tem grande influência tanto na arte quanto na arquitetura contemporânea: “A Casa de Vidro tem algo extremamente físico, mas que flerta com a imaterialidade, define a gravidade. Isso serve de inspiração atualmente para muitos arquitetos. A busca por tornar a arquitetura mais leve tem total sintonia com a indefinição dos espaços, com o dentro e fora que vemos na casa”, diz.

Fonte: Obra24horas
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22 agosto 2013

Grifes de decoração apostam no Brasil

Foram os astros - e o apetite do brasileiro por produtos de luxo - que trouxeram a empresária americana Holly Hunt ao Brasil. Não faz muito tempo, ela consultou uma amiga astróloga para traçar o seu plano de expansão e descobrir onde deveria abrir a primeira loja no exterior. "De acordo com os mapas, deveríamos ir para o Brasil", conta a empresária, cujo nome estampa uma das marcas mais chiques de design dos Estados Unidos. No segundo semestre, ela inaugura sua primeira loja no País.

Assim como Holly Hunt, algumas das maiores grifes de decoração mundiais têm encontrado no Brasil um mercado de luxo novo e promissor. Marcas como as italianas Natuzzi, Versace Home, Armani Home, Cassina e Poltronas Frau, responsável pelos interiores de carrões como Ferrari e Lamborghini, também decidiram apostar as fichas no aumento do poder de consumo brasileiro, enquanto tentam driblar a crise, principalmente no mercado europeu.

O segmento de móveis e decoração representa 9% do mercado de luxo no País, com faturamento de cerca de R$ 1,8 bilhão de acordo com os últimos estudos do setor. Em 2011, houve um crescimento de 23% em relação ao ano anterior. Segundo empresários do ramo, isso se deve em parte à crise na Europa, que obrigou as empresas de lá a procurar novos mercados. 
Mas também há a percepção de que o público brasileiro se tornou mais sofisticado. "O que acontece hoje no mercado de decoração é a mesma movimentação que que já se viu no mercado de moda. Os estilistas foram apenas mais rápidos e audaciosos", diz a arquiteta Zize Zink.

A diferença agora é que, enquanto notórias grifes de alta-costura deixaram os antigos acordos de representação para abrir as suas próprias operações no Brasil, as principais marcas de design ainda parecem viver o primeiro momento.

O cenário esbarra na alta carga tributária e de importação do País. No setor, cerca de 66% das empresas apontam a tributação elevada como o principal obstáculo para suas operações. "Descobrimos que seria mais complexo do que imaginávamos", afirma Holly, que, como o estilista Giorgio Armani, arriscou montar uma operação própria por aqui. "Os preços refletirão os elevados impostos de importação, mas seremos competitivos."

Preços

As peças chegam ao Brasil com preços muito superiores aos praticados em outros países. Muitas delas são feitas sob encomenda e têm preços sob consulta. Uma cadeira da Versace Home, por exemplo, chega a custar até R$ 150 mil, por se tratar de um item numerado e feito à mão. Já poltronas da Frau saem, em média, R$ 4 mil.

"Com essas marcas estabelecidas no Brasil, o consumidor agora tem assistência técnica e logística. Os preços são mais altos por causa da carga tributária, mas ainda é mais fácil do que fazer uma viagem para decorar a casa. Dá para ir escolhendo ao longo do processo", diz Raquel Silveira.

Fonte: O Estado de São Paulo
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19 agosto 2013

Arquitetura, urbanismo e educação juntos na luta contra a violência urbana

É alarmante o aumento da violência no País e no mundo. Recentemente entre tantos casos divulgados pela imprensa, a briga entre vizinhos em um condomínio de luxo em São Paulo, resultou na morte trágica de três pessoas, todas de classe média alta e realizadas profissionalmente. Indagamos quais motivos levaram a esta tragédia.

Na condição de urbanista, vejo que o processo de urbanização, na maioria dos países em desenvolvimento, vem ocorrendo de maneira muito rápida e desordenada, gerando problemas sociais e desequilíbrios ambientais, principalmente, nas médias e grandes cidades. Atualmente, as cidades ocupam somente 2% da superfície da terra, mas consomem 75% dos seus recursos. O espaço urbano exerce grande atração sobre as pessoas, transformando-se no local preferencial para a vida em sociedade. Esta atratividade faz com que a taxa de urbanização do planeta já ultrapasse os 50%. No Brasil, este índice ultrapassa os 70%.

A terra é hoje povoada de forma amontoada. Os homens estão cada vez mais desarraigados, a cidade e o campo estão cada vez mais dissociados. Antes as cidades eram compostas de bairros, onde as pessoas se conheciam. Hoje há o anonimato. Tira-se da cidade a “calçada” que é a vida da cidade e assim as cidades constituem hoje um dos maiores exemplos da degradação ambiental do planeta. Esta degradação está colocando em risco a qualidade de vida da população e a segurança das mesmas, constituindo-se deste modo um palco para os conflitos sócios ambientais, onde a violência impera. Em futuro próximo, praticamente todo o crescimento da população mundial ocorrerá em áreas urbanas. Entre 2000 e 2030, há expectativa de que a população mundial urbana aumente em 2,1 bilhões de habitantes.

Em médio prazo, toda a população humana se concentrará no ambiente urbano. O estudo da violência, portanto não pode se desvencilhar do planejamento urbano, cidades mal organizadas e mal planejadas geram de aumento da violência e da criminalidade. As cidades têm três funções urbanísticas que mal definidas podem gerar conseqüências negativas:
  • O congestionamento do trânsito (função urbanística da circulação).
  • A inexistência de áreas adequadas ao lazer (função urbanística da recreação),
  • A intranquilidade do repouso dos seus moradores (função urbanística da residência),
  • A inexistência de espaços de trabalho dignos para todos os cidadãos (função urbanística do trabalho).
Todas essas disfunções são formas de desrespeito às funções urbanísticas que geram conseqüências nos índices de violência. A ausência de planejamento urbano municipal, cujo intuito é garantir as funções da sociedade urbana (a de circular, a de habitar,a de trabalhar e a de lazer), constitui, atualmente, uma das maiores causas da violência urbana. Devem-se, portanto, instituir políticas públicas com o intuito de garantia das funções sociais da cidade e da diminuição/prevenção da violência urbana.

Desde a Idade Média já se construíam as muralhas e fossos ao redor dos castelos para se proteger do inimigo. Hoje a situação continua a mesma e com maior intensidade. Muros, cercas elétricas, grades e a construção de condomínios fechados são interferências urbanas que o medo da violência provoca na paisagem urbana.

Um importante passo para diminuir a violência seria utilizar a arquitetura e o urbanismo para melhorar a vivência urbana, diminuir a segregação sócio econômica e espacial e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, elaborando projetos de intervenção social e revitalização de áreas públicas de lazer e cultura que resgatam a identidade cultural de uma determinada região. 
A visão capitalista evita o coletivo e prega que tudo deve ser particular, privado e individual forjou o sujeito e as cidades arrogantes e egoístas. A ausência de espaços públicos agradáveis, por exemplo, impede que as pessoas convivam, transformando a violência em linguagem recorrente para a solução dos problemas.

Aliado a um planejamento urbano adequado a melhoria da educação formal é outro ingrediente contra a violência. O poder público tem que se empenhar em aumentar a matrícula, reduzir a evasão e, através do treinamento para os professores, oferecer melhor qualidade de ensino e de salário.

Bogotá é um exemplo, na América Latina, da idéia de Cidade Educadora, segundo a qual todos os serviços públicos e privados da cidade devem estar conectados às escolas. Os projetos urbanísticos recuperaram a região central de Bogotá, tão deteriorada como as das grandes cidades brasileiras e isso atraiu mais pessoas para as ruas. Praças foram criadas ou reformadas. Aos domingos, as principais vias são fechadas ao trânsito, agora exclusivas para pedestres e ciclistas. Em Bogotá a concentração de violência se repetia num bairro com o sugestivo nome de Cartucho, a versão ainda mais piorada da Cracolândia, em São Paulo. O poder municipal então transformou toda aquela área em um imenso parque e tratou de encaminhar seus moradores para outros locais. Para preencher essas regiões recuperadas, a prefeitura decidiu promover constantes shows de música, entre várias outras ações culturais como festivais de teatro e de dança. Os efeitos dessas iniciativas eram vistos no surgimento de uma nova vida noturna, antes limitada porque as famílias tinham medo de sair de casa.

O centro histórico de Goiânia já está convivendo com este problema, é visível o aumento de pessoas marginalizadas, sem tetos, e drogados. E o pior ,vemos estarrecidos as tradicionais escolas públicas centrais sendo abandonadas (tais como o Brasil Central, Liceu de Goiânia, Rui Barbosa , entre outros) que poderiam retomar as suas condições de formadoras da educação integral a população marginalizada. É preciso uma ação imediata, de apoio, tratamento e educação para estas pessoas aliado a revitalização urbana destes espaços centrais reintegrando-os ao convívio da população.

* Garibaldi Rizzo, arquiteto e urbanista. Presidente do Sindicato de Arquitetos e Urbanistas de Goiás

Fonte: Obra24horas
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14 agosto 2013

O Cobre na Arquitetura

Características singulares deste nobre metal permitem seu uso na cobertura e revestimento de edifícios, expressando durabilidade, desafio da forma, beleza estética, resistência à corrosão e sempre com significativa relação custo-benefício. 

Desde épocas remotas, o cobre vem sendo utilizado nas mais diversas atividades, tornando-se fonte permanente de estudos científicos e descobrimentos nas áreas da saúde e da tecnologia. Sua aplicação na construção de edifícios é cada vez mais difundida, marcando presença pela sua qualidade e tradição em instalações elétricas, hidráulicas, calefação, gás, refrigeração e captação da energia solar. 

Na arquitetura dos edifícios, o cobre está presente desde o início da era cristã, passando pela Idade Média, Renascimento, Idade Moderna até os dias atuais. Seus atributos e características técnicas singulares permitem seu uso na cobertura e revestimento de edifícios. Seu desempenho técnico e qualidades arquitetônicas se expressam principalmente pela durabilidade, pelo desafio de forma, pela beleza estética da coloração e pelos aspectos ecológicos, sempre com ótima relação custo-benefício. 

No Brasil o cobre vem sendo utilizado com presença marcante desde o início do século XX nas coberturas de edifícios institucionais, com destaque para o Teatro Municipal e o Supremo Tribunal de Justiça (RJ) e a Catedral da Sé, o Teatro Municipal e a antiga Escola Politécnica (SP). 

Aplicações 

• Revestimento de Coberturas - Planas, inclinadas, curvas, cúpulas e domos. 
• Revestimentos de Fachadas – Valoriza a arquitetura das fachadas dos edifícios pela textura, coloração e adaptação às mais variadas formas adotadas. 
• Calhas e condutores das Águas Pluviais - As calhas e condutores das águas pluviais das coberturas de edifícios devem ter grande duração e resistência à corrosão. Por isso o cobre é uma opção correta, com bom resultado técnico-estético. As possibilidades de desenho das calhas são inúmeras, permitindo uma integração harmoniosa com as edificações, adaptando-se a qualquer arquitetura. 
• Arquitetura de interiores - O cobre é utilizado com freqüência em revestimentos de interiores, tetos, paredes e portas. 
• Design - O cobre é usado com singular propriedade no design de peças ornamentais, equipamentos e utensílios domésticos, bem como em esculturas. Sua durabilidade, coloração e formas contribuem para a valorização do ambiente. 

Perguntas mais Frequentes 

1. Por que usar o cobre na arquitetura? 
Na história da arquitetura o cobre sempre foi utilizado no revestimento das paredes verticais, no recobrimento das coberturas e nas ornamentações, nos objetos decorativos e de uso doméstico. A opção por este metal se prende pela sua praticidade, higienização, durabilidade, facilidade de limpeza e baixa necessidade de manutenção. Os edifícios com cobertura em cobre se destacam e valorizam o patrimônio histórico edificado das cidades. 

2. Quais as vantagens do revestimento de cobre? 
Uma das principais qualidades das lâminas de cobre é sua nobreza. Suas principais vantagens são dadas por sua durabilidade, alta resistência à corrosão e facilidade de trabalho. Prova disso são as numerosas obras espalhadas pelo mundo, com séculos de antiguidade e que mantêm as mais variadas formas de coberturas devidamente intactas. 

O cobre também apresenta infinitas possibilidades de desenho e alta qualidade estética, sendo facilmente encontrado sob a forma de lâminas, o que permite aos arquitetos e outros profissionais do design elaborar desenhos com aspectos formais personalizados, abrindo um novo campo de desenho. 

3. Por que houve uma revalorização do uso do cobre nos revestimentos? 
Existe uma tendência mundial do uso do cobre para coroar ou arrematar os edifícios, garantindo-lhes personalidade, caráter e destaque na paisagem urbana. A tecnologia também participa da valorização do cobre como material de arquitetura, assim como sua versatilidade e a possibilidade de harmonizar cor, desenho e textura. 

4. O que é possível desenhar com o cobre? 
Existe uma grande variedade de desenhos utilizando lâminas de cobre dada a possibilidade de dobrá-las ou estampá-las, possibilitando seu uso em quatro áreas vinculadas aos revestimentos e proteções dos edifícios: 

1. Revestimentos de coberturas: planas ou curvas, arremates e elementos sobressalentes. 
2. Revestimentos verticais de fachada: painéis tipo muro cortina, revestimentos de fachadas externas e interiores. 
3. Acessórios de águas pluviais: calhas, condutores, caixas de captação e forros de proteção. 
4. Desenho de interiores: ornamentação, murais, objetos, portas, esculturas. 
5. É muito caro um revestimento de cobre? Comparado a outros revestimentos metálicos, o cobre tem um valor econômico inicial um pouco maior. Mas suas vantagens ao longo do tempo garantem uma ótima relação custo-benefício, compensando sua opção. 
6. Como se instala o cobre e sobre que tipo de superfície ele é aplicado? 

Em geral as lâminas de cobre natural, laqueadas ou patinadas nas suas várias espessuras são processadas tecnicamente nas coberturas ou revestimentos verticais e inclinados por meio de encaixes tradicionais com junta elevada simples ou com caibros de madeira, consistindo no sistema comprovado por sua forma mais prática de executar um revestimento de cobre. No entanto, existe também a possibilidade de telhas planas e estampadas sob os mais variados formatos. 

A superfície sobre a qual se coloca o cobre denomina-se "suporte-base", constituindo de um compensado de madeira autoclavado, com resina fenólica ou madeira maciça, tratada contra insetos xilófagos e material hidrofugante para resistir aos desafios da degeneração. Esta superfície deve ter planicidade e sem ressaltos no suporte-base para que as lâminas de cobre fiquem uniformemente assentadas e evitem imperfeições. 

Os revestimentos para coberturas envolvem trabalhos com mão-de-obra específica, vinculados às superfícies planas ou curvas, aos panos de paredes verticais ou inclinados, às soluções das captações das águas pluviais aos forros de proteção e ao desenho de interiores. 

7. Quais formatos e dimensões possíveis? 
No mercado há lâminas de cobre natural em tiras e chapas. Se forem em rolo, a largura vai até 610mm e a espessura até 3,17mm. Já as retas estão disponíveis com largura de 25 a 600mm e espessura de 0.30 a 3.17mm. 

8. O que deve ser feito para se obter outras cores? 
Há empresas locais e mão-de-obra especializada para a realização da pátina artificial, com ênfase para o cobre na cor verde-água. . 

9. Existe algum profissional no Brasil que presta assistência técnica? 
Atualmente o Procobre - Instituto Brasileiro do Cobre www.procobrebrasil.org presta informações técnicas e construtivas para projetar coberturas e revestimentos de edifícios com cobre. Quanto à instalação ou execução de obras de coberturas e revestimentos de paredes de edifícios, o Procobre mantém em seu cadastro diversas empresas especializadas nessa área.

Fonte: Metalica
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Com quantos shopping centers se faz uma cidade?

O modelo tradicional dos Shoppings Centers está exaurido. Ainda bem! 

Cada vez mais tenho visto artigos – normalmente em sites ou blogs de economia – que discutem a falência do modelo tradicional de shopping centers nos EUA*. Frequentemente instalados fora das cidades, acessíveis somente por carros, esses grandes edifícios são em geral traduzidos em grandes caixas fechadas, recheadas de lojas e atrações de lazer. 

Em alguns lugares, o frio intenso até justifica o modelo hermético do edifício, reforçado pelo fato de estar isolado de qualquer outro edifício ou equipamento urbano e rodeado por infinitas vagas de estacionamento. 

No Brasil, a febre dos shopping centers herdou muito do modelo norteamericano. Mas uma vantagem assegura à versão tupiniquim uma sobrevida possivelmente maior: por aqui, os shoppings estão geralmente dentro das cidades, ‘integrados’ ao cotidiano das pessoas. 

Não que isso seja uma enorme vantagem para a cidade. O comércio tradicional de rua perdeu o público de renda média e alta para o conforto do ar condicionado, ilusão de segurança e desconexão absoluta com a realidade. Chuva, calor e noite são informações que os shoppings se orgulham de nos ocultar: afinal, quanto mais nos concentrarmos só em consumir, melhor... 

O modelo de ‘caixa forte’ que os shoppings adotam é muito esquisito. Sua escala monumental geralmente afronta o entorno e provoca desequilíbrio na infraestrutura de transportes, água e energia. Seu espaço inequivocamente privado refuta relação com a rua, chegando ao extremo de, em alguns casos, simplesmente ignorar o consumidor que chegue a pé. 

Espaços verdes, permeáveis ou públicos são impensáveis – se houver espaço livre, será para estacionamento! Será que os empreendedores não enxergam que isso é ruim para todos, inclusive para eles mesmos? 

Orgulho-me de nunca ter posto os pés no Shopping Cidade Jardim, que é a última palavra em exclusão social. Perdido no meio da agressiva Marginal do Pinheiros, o shopping não acolhe qualquer tipo de pedestre – nem os ricos do bairro conseguem entrar a pé. 

À guisa de fortificação medieval, sobre o monumental trambolho brotam edifícios neo-bobos que os novosricos ocupam com empáfia. Sorte nossa, eles não precisam nem sair de casa para ir às compras! O Cidade Jardim é a última palavra em condomínio-clube, esse câncer que se alastra pela cidade. 

Ouvi dizer que vão até inaugurar cemitérios nesse tipo de condomínio, ao lado da ‘pérgula da babá’ e da ‘piscina do idoso’, para que as pessoas não saiam de casa para morrer. 

Há também shoppings para outras classes sociais. Aliás, há vários: só na cidade de São Paulo, já são cerca de 50 grandes shoppings, e a lista continua a crescer. Mas de alguns anos para cá, novidades têm diversificado o mercado, como pequenos edifícios comerciais de bairro.

Esses pequenos shoppings nasceram da percepção de alguns empreendedores de que há espaço para pulverização do comércio de conveniência. Mais perto das casas, diluem o tráfego e não sobrecarregam as demais redes. Muitas vezes abertos para a rua, são convidativos também para pedestres. 

Sua escala menor dificilmente causa grande contraste com o entorno. E, versáteis, são viáveis tanto em bairros ricos quanto em áreas menos abastadas, levando emprego, comércio e serviço para locais antes desatendidos. 

Em alguns casos, funciona praticamente como comércio de rua tradicional, em outros, como uma mini caixa forte. Será que estamos voltando ao modelo de ‘galerias’, que foram tão populares nos centros de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo? 

O interessante das galerias é que elas são, potencialmente, parte do tecido urbano. Muitas vezes, interligam ruas diferentes e transformam o espaço privado em extensão do público e não brigam com o comércio tradicional de rua – pelo contrário, complementam-no. 

Em São Paulo, as galerias do Centro podem ter perdido o ‘glamour’, mas continuam pulsantes e adaptadas ao padrão dos frequentadores atuais da região. 

No Rio, é possível encontrar galerias chiques em meio a ruas de comércio vívido como a Visconde de Pirajá, que oferece na porta ao lado um sapateiro, um boteco ou uma farmácia. 

Felizmente, lá o comércio de rua sobrevive à febre dos shoppings. Talvez porque a cidade não comporte, pela sua limitação física, novos e grandes edifícios – à exceção da Barra da Tijuca, é claro, mas a Barra está longe de ser o Rio. 

Seja lá como for, equipamentos comerciais demandam uma sustentabilidade que transcende a eficiência energética do edifício. Seus materiais e dispositivos de conforto higrotérmico parecem menos relevantes do que a eficiência da própria cidade que o acolhe. 

Não podemos pensar só em praças e jardins quando discutimos os espaços públicos de uma cidade, há de se considerar que eles são determinados também por outros usos, como o comercial. 

Ignorar o problema é abrir mão de projetar uma cidade mais equânime, democrática, generosa e eficiente quando trabalhamos com um programa aparentemente tão ‘privado’. 

E o mais engraçado de tudo: uma ampla revisão da cartilha dos shoppings poderia até aumentar sua eficiência comercial!

*Artigo publicado em especial, indico o artigo Birth, Death and Shopping, publicado na The Economist de 19/12/2007 e o site www.deadmalls.com 

** Lourenço Urbano Gimenes é arquiteto e urbanista formado pela FAUUSP, com mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas pela mesma instituição. Sócio do escritório de arquitetura Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz

Fonte: Obra24horas
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25 julho 2013

Regras para fazer do imóvel uma casa para a vida toda, até a velhice

Proprietária de uma pousada geriátrica em Campo Grande, Silvia Samara Gimenes Salamene, de 35 anos, sabe bem que não pode se descuidar da segurança dos idosos. Sabe também que não basta só atenção e boa intenção. É preciso garantir a acessibilidade dos clientes que atende todos os dias.

Há três anos, justamente por essa questão, a casa passou a funcionar em outro endereço. Como o antigo imóvel era alugado, os proprietários não permitiram alterações na parte estrutural. Na “nova pousada”, tudo foi pensado para quem já chegou à chamada “terceira idade”.

“Colocamos banheiros adaptados em todos os quartos, corrimão em tudo, dentro e fora. Os pisos são antiderrapantes. A casa é plana, não precisa de rampa. Toda a preocupação foi por conta da acessibilidade”, afirmou a proprietária.

Casas planejadas, acessíveis, é uma preocupação antiga dos profissionais que trabalham na área da arquitetura, mas eles ainda enfrentam a resistência de clientes. Muitos, com “medo” do custo final da obra, acabam dispensando os ajustes necessários. O que acontece, geralmente, é uma reforma na hora da necessidade. Aí sim, os custos extras, dizem os especialistas, podem aparecer.

Arquiteta Angela Cristina Santos Gil Lins, de 40 anos, integra a equipe técnica da Sociedade em Prol da Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Qualidade de Vida de Mato Grosso do Sul (SBA). A profissional apontou algumas “dicas gerais” de um projeto como esse. Em todo caso, é necessário, segundo ela, uma boa entrevista com o cliente. A intenção é saber das necessidades dele, as limitações e exigências. Se tratando de idosos, “o levantamento das necessidades é maior ainda, pois precisamos saber se o idoso vai morar sozinho, com um companheiro, se tem animais de estimação, se recebe visitas”, disse, exemplificando.

O projeto de uma casa para idosos deve contemplar tudo o que uma “residência comum” tem, mas é preciso dar atenção à NBR 9050, norma técnica que regulamenta a acessibilidade a edificações, mobiliário e equipamentos urbanos.

A arquiteta, afirmou, “precisa dar atenção especial para banheiros e pisos”. É imprescindível observar as dimensões dos espaços de circulação e não se esquecer dos itens de segurança como, por exemplo, pisos não escorregadios em áreas molhadas - como banheiro, calçadas, área de serviço e varanda - e barras de apoio.

Entre as dicas gerais, é preciso se atentar ao tamanho das portas – que devem ter vão livre de 0,80 centímetros para facilitar o acesso de uma cadeira de rodas -, maçanetas que facilitam a empunhadura e iluminação adequada.

O cuidado se estende à decoração. O mobiliário precisa ter altura adequada e cantos arredondados. É uma maneira de prevenir acidentes. Angela Cristina também recomenda evitar o uso de tapetes com felpa alta para não prejudicar quem tem dificuldade de locomoção.

Além da segurança, a comodidade deve ser pensada. Uma casa acessível “é uma casa confortável para toda as pessoas”. Se o projeto, desde o início, levar em consideração esse conceito, não será mais necessário adaptar nenhum espaço. Reformas, aliás, sempre acabam sendo mais caro que uma nova construção.

“Um projeto para idoso não necessariamente aumenta os gastos, ao contrário do que todos imaginam. O custo final da obra será o mesmo de qualquer outra desde que seja bem planejada e executada”, orientou a profissional.

Cartilha

Angela lembrou que este ano, a SPA-MS elaborou, em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado (CAU – MS), um guia prático de acessibilidade. A cartilha, que foi distribuída aos participantes da 2ª Decon-MS, feira de decoração que aconteceu em Campo Grande, é direcionada a projetistas e conta com a diretrizes básicas da NBR-9050/2004.

São 63 páginas de orientações que trazem, por exemplo, as exigências para construção de sanitários, bebedouros, balcões, auditórios, cinemas, teatros, cozinha. O material também elenca as especificações para o acesso e circulação e destaca as normas para construção de calçadas, guias rebaixadas, faixas elevadas, rampas, corrimão, guarda-corpo, degraus, entre outros.

Há, ainda, as definições importantes para sinalização visual, tátil, sonora, de vagas para veículos e até o local determinado para o posicionamento do intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Além das especificações para projetos residenciais e comerciais, o guia também abrange as diretrizes recomendáveis para obras públicas, como parques, praças e locais turísticos. Delegacias e penitenciárias também estão incluídas.

A intenção dos órgãos é divulgar a legislação e sensibilizar a sociedade sobre as dificuldades encontradas no uso dos espaços utilizado pelas pessoas com deficiência, permanente ou temporária, mobilidade reduzida, idosos ou gestantes.

Fonte: Obra24horas
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