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14 agosto 2013

Com quantos shopping centers se faz uma cidade?

O modelo tradicional dos Shoppings Centers está exaurido. Ainda bem! 

Cada vez mais tenho visto artigos – normalmente em sites ou blogs de economia – que discutem a falência do modelo tradicional de shopping centers nos EUA*. Frequentemente instalados fora das cidades, acessíveis somente por carros, esses grandes edifícios são em geral traduzidos em grandes caixas fechadas, recheadas de lojas e atrações de lazer. 

Em alguns lugares, o frio intenso até justifica o modelo hermético do edifício, reforçado pelo fato de estar isolado de qualquer outro edifício ou equipamento urbano e rodeado por infinitas vagas de estacionamento. 

No Brasil, a febre dos shopping centers herdou muito do modelo norteamericano. Mas uma vantagem assegura à versão tupiniquim uma sobrevida possivelmente maior: por aqui, os shoppings estão geralmente dentro das cidades, ‘integrados’ ao cotidiano das pessoas. 

Não que isso seja uma enorme vantagem para a cidade. O comércio tradicional de rua perdeu o público de renda média e alta para o conforto do ar condicionado, ilusão de segurança e desconexão absoluta com a realidade. Chuva, calor e noite são informações que os shoppings se orgulham de nos ocultar: afinal, quanto mais nos concentrarmos só em consumir, melhor... 

O modelo de ‘caixa forte’ que os shoppings adotam é muito esquisito. Sua escala monumental geralmente afronta o entorno e provoca desequilíbrio na infraestrutura de transportes, água e energia. Seu espaço inequivocamente privado refuta relação com a rua, chegando ao extremo de, em alguns casos, simplesmente ignorar o consumidor que chegue a pé. 

Espaços verdes, permeáveis ou públicos são impensáveis – se houver espaço livre, será para estacionamento! Será que os empreendedores não enxergam que isso é ruim para todos, inclusive para eles mesmos? 

Orgulho-me de nunca ter posto os pés no Shopping Cidade Jardim, que é a última palavra em exclusão social. Perdido no meio da agressiva Marginal do Pinheiros, o shopping não acolhe qualquer tipo de pedestre – nem os ricos do bairro conseguem entrar a pé. 

À guisa de fortificação medieval, sobre o monumental trambolho brotam edifícios neo-bobos que os novosricos ocupam com empáfia. Sorte nossa, eles não precisam nem sair de casa para ir às compras! O Cidade Jardim é a última palavra em condomínio-clube, esse câncer que se alastra pela cidade. 

Ouvi dizer que vão até inaugurar cemitérios nesse tipo de condomínio, ao lado da ‘pérgula da babá’ e da ‘piscina do idoso’, para que as pessoas não saiam de casa para morrer. 

Há também shoppings para outras classes sociais. Aliás, há vários: só na cidade de São Paulo, já são cerca de 50 grandes shoppings, e a lista continua a crescer. Mas de alguns anos para cá, novidades têm diversificado o mercado, como pequenos edifícios comerciais de bairro.

Esses pequenos shoppings nasceram da percepção de alguns empreendedores de que há espaço para pulverização do comércio de conveniência. Mais perto das casas, diluem o tráfego e não sobrecarregam as demais redes. Muitas vezes abertos para a rua, são convidativos também para pedestres. 

Sua escala menor dificilmente causa grande contraste com o entorno. E, versáteis, são viáveis tanto em bairros ricos quanto em áreas menos abastadas, levando emprego, comércio e serviço para locais antes desatendidos. 

Em alguns casos, funciona praticamente como comércio de rua tradicional, em outros, como uma mini caixa forte. Será que estamos voltando ao modelo de ‘galerias’, que foram tão populares nos centros de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo? 

O interessante das galerias é que elas são, potencialmente, parte do tecido urbano. Muitas vezes, interligam ruas diferentes e transformam o espaço privado em extensão do público e não brigam com o comércio tradicional de rua – pelo contrário, complementam-no. 

Em São Paulo, as galerias do Centro podem ter perdido o ‘glamour’, mas continuam pulsantes e adaptadas ao padrão dos frequentadores atuais da região. 

No Rio, é possível encontrar galerias chiques em meio a ruas de comércio vívido como a Visconde de Pirajá, que oferece na porta ao lado um sapateiro, um boteco ou uma farmácia. 

Felizmente, lá o comércio de rua sobrevive à febre dos shoppings. Talvez porque a cidade não comporte, pela sua limitação física, novos e grandes edifícios – à exceção da Barra da Tijuca, é claro, mas a Barra está longe de ser o Rio. 

Seja lá como for, equipamentos comerciais demandam uma sustentabilidade que transcende a eficiência energética do edifício. Seus materiais e dispositivos de conforto higrotérmico parecem menos relevantes do que a eficiência da própria cidade que o acolhe. 

Não podemos pensar só em praças e jardins quando discutimos os espaços públicos de uma cidade, há de se considerar que eles são determinados também por outros usos, como o comercial. 

Ignorar o problema é abrir mão de projetar uma cidade mais equânime, democrática, generosa e eficiente quando trabalhamos com um programa aparentemente tão ‘privado’. 

E o mais engraçado de tudo: uma ampla revisão da cartilha dos shoppings poderia até aumentar sua eficiência comercial!

*Artigo publicado em especial, indico o artigo Birth, Death and Shopping, publicado na The Economist de 19/12/2007 e o site www.deadmalls.com 

** Lourenço Urbano Gimenes é arquiteto e urbanista formado pela FAUUSP, com mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas pela mesma instituição. Sócio do escritório de arquitetura Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz

Fonte: Obra24horas
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25 junho 2013

Regras barram 80% dos distritos paulistas que querem virar cidades

As novas regras aprovadas pela Câmara para a criação de municípios barram 80% dos distritos paulistas que estão na fila para virar cidades. Dos 74 pedidos de emancipação feitos à Assembleia Legislativa, no máximo 15 teriam condições de aprovação pelos novos critérios, segundo a União Brasileira em Defesa da Criação de Novos Municípios. Entre as exigências estão viabilidade econômico-financeira, político-administrativa e ambiental e, no Estado, um mínimo de 12.016 habitantes.

Pelo menos 15 distritos que buscam autonomia estão ligados a cidades com menos de 10 mil habitantes. É o caso de Iubatinga, em Caiabu, no oeste paulista. A cidade tem 4.072 habitantes, mas a população do distrito é de apenas 785 pessoas. O distrito de Vicentenópolis, em Santo Antônio de Aracanguá, também quer virar cidade, mas o município todo tem 7.688 habitantes. "Se essa lei tivesse sido aprovada há 20 anos, a própria cidade ainda seria distrito", disse Nunes Filho. Segundo ele, a nova lei exige que a cidade tenha renda para pagar o salário do prefeito, vereadores e funcionários e suprir os serviços básicos sem depender de recursos da União. "A lei acaba com a farra das novas prefeituras e Câmaras." No caso de Campos de Holambra, em Paranapanema, a resistência é da cidade-mãe. O distrito ficaria com mais da metade da população, de 17.999 habitantes, a maior cooperativa de produção agrícola, base da economia local, e com a única indústria. Mais de 60% da receita tributária própria, de R$ 5,7 milhões, vêm do distrito.

As principais metrópoles paulistas correm o risco de perder parcelas significativas da população. Na maior de todas, São Paulo, com 11.376.685 habitantes, quatro distritos que somam 450 mil habitantes buscam a emancipação - Perus, Santo Amaro, São Mateus e Parelheiros. Em Campinas, maior cidade do interior - tem 1.090.000 habitantes -, os distritos de Souzas, Barão Geraldo e Joaquim Egídio, com 85 mil moradores, já pediram autonomia.

Cidades-dormitório

O entorno de Brasília deve ter sua distribuição geográfica alterada com a aprovação da proposta. Quatro distritos em Goiás que funcionam como "cidades-dormitório" buscam emancipação e atendem ao critério populacional definido: Jardim Ingá, em Luziânia, Jardim ABC, da Cidade Ocidental, Lago Azul, do Novo Gama, e Campos Lindos, de Cristalina. Integrante do conselho de emancipação do Jardim Ingá, José Geraldo Silva diz que a questão da segurança é um dos principais problemas da região. "Não há delegado nos fins de semana e falta efetivo." No Jardim ABC, a esperança de crescimento está num empreendimento imobiliário de alto padrão construído na divisa com o Distrito Federal. Para o ex-vereador Fernando Melo, com o empreendimento, a região teria condições de atender à exigência de viabilidade econômica.

Em Pernambuco, dos 27 distritos que querem se tornar municípios, 60% não cumprem as exigências previstas pela Câmara, estima o deputado Raimundo Pimentel (PSB). Favorável à criação de novos municípios, Pimentel acredita que muitos distritos poderiam ter maior crescimento econômico se emancipados. Ele observa que os últimos municípios pernambucanos, criados em 1996, apresentaram maior desenvolvimento. "Lagoa Grande, que era distrito de Santa Maria da Boa Vista, não teria hoje a mesma dimensão como produtor de uva e vinho se não tivesse sido emancipado."

Fonte: O Estado de São Paulo
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19 junho 2013

6 obras que a Copa prometeu e não vai entregar

Das obras que foram planejadas para 2014, só os estádios estão garantidos. As seleções precisam ter onde jogar, mas, depois que a Copa do Mundo acabar, o legado que essas monumentais construções vão deixar para a população será pequeno.

As obras que vão fazer a diferença, mesmo, serão as que estão sendo feitas em infraestrutura: aeroportos (muitos em parceria público-privada) e mobilidade urbana. E essas não estão garantidas para 2014. Longe disso: muitas dessas obras já apresentam atrasos preocupantes, algumas não tiveram sequer os empréstimos contratados (correm sério risco de parar pela metade) e 35% têm data de entrega em cima da hora, para maio ou junho e 2014.

Confira seis obras na área dos transportes que foram prometidas para daqui dois anos, mas já sabemos que não serão entregues - ou estão em situação crítica.

Monotrilho - São Paulo

Monotrilho Linha 17, em São Paulo
São Paulo só havia prometido uma obra para a Copa do Mundo: o monotrilho que ligaria o Aeroporto de Congonhas até o bairro do Morumbi, na Zona Sul da capital. A chamada Linha 17 - Ouro do metrô, porém, não vai existir antes de 2014.

A justificativa para o atraso foi de que houve demora para obtenção de licenças ambientais, mas as licenças foram publicadas no Diário Oficial em março, mesmo mês que o governador Geraldo Alckmin reiterou a intenção de conclusão para antes da Copa.

Em novembro, Alckmin admitiu que o monotrilho que permitirá às pessoas saírem do aeroporto de Congonhas e pegar o trem não vai ficar pronto.

Avenida - Porto Alegre

Projeto de duplicação da Avenida Tronco em Porto Alegre
A duplicação da Avenida Tronco, em Porto Alegre, vai aumentar o trecho em 5,3 km, com ciclovia, corredor de ônibus e tratamento paisagístico. É uma das dez principais obras de legado da Copa já que criaria uma alternativa rápida de ligação entre a Zona Sul e o Centro, desafogando a Avenida Beira-Rio (Edvaldo Pereira Paiva), onde fica o estádio.

Entretanto, em julho de 2012 a obra ainda não havia começado nos principais trechos por conta de problemas na expropriação das famílias. Para piorar, no mesmo mês a licitação foi suspensa em caráter preventivo por suspeitas de fraude.

Segundo o site do governo gaúcho, as obras estão com a burocracia correta, no prazo e devem ficar prontas até maio de 2014, mas, segundo o TCU, cinco das dez obras da capital do Rio Grande do Sul, inclusive as obras da Avenida Tronco, ainda sequer foram apresentadas à Caixa Econômica Federal, que vai financiar parte do valor.

VLT - Brasília

Projeção do VLT de BrasíliaBrasília ganhou um projeto de VLT (veículo leve sobre trllhos) que ligaria o Aeroporto de Brasília à Asa Sul da capital brasileira.

Já em 2011 o primeiro trecho do VLT em Brasília teve suas obras paralisadas por fraude na licitação que ocorrera dois anos antes. No início do ano, foi declarado que o trecho Aeroporto - Asa Sul (que teria 6,4 km de extensão e quatro estações) não ficaria pronto antes da Copa do Mundo.

Terminal Integrado - Recife

Projeto do Terminal Integrado Cosme e Damião, em RecifeO terminal fará parte do chamado "Ramal de Acesso à Cidade da Copa", via inescapável para quem quiser ir à Arena Pernambuco.

A expectativa é que as obras ficassem prontas já para a Copa das Confederações, em 2013, mas em setembro de 2012 o Tribunal de Contas da União já alertou para atrasos.

Apesar do otimismo da Secretaria das Cidades, que ainda insistia que o Terminal ficará pronto até junho de 2013, em setembro deste ano as obras, que deveriam estar 78% concluídas apresentavam um percentual de apenas 4% de conclusão.

BRT - Curitiba

Linha verde do BRT em Curitiba
Curitiba já tem uma larga malha de transporte BRT (Bus Rapid Transit). A Linha Verde Sul conta com 9,4 km de extensão e vai do Pinheirinho até o Jardim Botânico - são seis estações no trecho.

O Governo Federal, através de financiamento da Caixa, liberou cerca de 19 milhões de reais para a ampliação do trecho, três quilômetros de Pinheirinho até o Contorno Sul, mas as obras, que deveria ter iniciado em 2011, ainda nem começaram.

Os três quilômetros extras de BRT não ficam prontos até a Copa.

Metrô - Fortaleza
Projeto de estação de metrô em Fortaleza
O metrô de Fortaleza demorou 13 anos e mais de 1,7 bilhões de reais para finalmente sair do papel. A malha conta com 25 quilômetros de extensão e, para a Copa de 2014, foi acrescido o projeto para duas novas estações: Padre Cícero e Juscelino Kubitschek.

Apesar dos avanços na mobilidade e no transporte público da capital cearense, essas duas estações tiveram grandes atrasos na obra - assim como o trecho da linha Parangaba - Mucuripe. As obras tinham como prazo final dezembro de 2013.

Fonte: Exame

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15 agosto 2012

Mãos à obra: Obras Públicas, Seguros e Licitações


O que a urbanização das favelas cariocas, a construção do estádio Itaquerão, em São Paulo, e uma nova estrada no Nordeste têm em comum? Embora muito diferentes, são todas obras públicas que precisam de seguro-garantia para sua execução. Esse tipo de apólice garante que a construtora executará a obra no prazo e nas condições acordadas na licitação. Se não o fizer, a seguradora cobre o prejuízo do contratante. O potencial de crescimento desse tipo de seguro é gigantesco: segundo previsão do BNDES, as obras de infraestrutura devem mobilizar R$ 380 bilhões de investimentos até 2016. Isso sem contar os R$ 56 bilhões previstos para a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil. Líder no segmento, com participação de mercado de 35%, a seguradora paranaense JMalucelli cresceu 7,7% em faturamento nos quatro primeiros meses do ano, para R$ 85 milhões. 

O diretor da JMalucelli, Gustavo Henrich, vê boas oportunidades em diversos setores. “Temos muitas obras complexas do setor elétrico, como hidrelétricas e usinas eólicas, além da expansão dos aeroportos e redes de saneamento básico”, diz. No Brasil, a prática é segurar entre 5% e 10% do valor da obra, o que resulta num potencial de importância segurada nos próximos quatro anos de mais de R$ 40 bilhões. Em outros países, como os Estados Unidos, as construtoras costumam garantir 100% do valor da obra. No ano passado, as seguradoras arrecadaram R$ 817 milhões em prêmios de seguro-garantia, um crescimento de 15% em relação a 2010. O presidente da comissão de crédito e garantia do Conselho Nacional de Seguros (CNSeg), Rogério Vergara, acredita que as vendas cresçam mais 10% neste ano, para R$ 900 milhões. 

Quase toda a expansão em 2012 deve ser vinculada a obras públicas, já que a demanda no setor privado desacelerou com a redução de lançamentos de prédios residenciais, por exemplo. Também as pequenas seguradoras especializadas no produto estão crescendo rapidamente. A mineira Pottencial mais que dobrou seu volume de prêmios no ano passado, chegando a R$ 70 milhões. Com 15 escritórios no País, está abrindo três novos: em São Paulo, na capital, em Marília e Ribeirão Preto. O presidente do conselho do grupo, Carlos Quik, procura estabelecer-se no nicho de médias e pequenas construtoras. “Queremos garantir principalmente contratos de obras municipais e estaduais, como hospitais e redes de saneamento”, afirma. 

A Zurich, décima segunda maior seguradora do País, aposta principalmente na infraestrutura necessária para a Copa do Mundo em 2014. A multinacional suíça garante a realização de 
obras em quatro estádios, segundo o CEO de seguros gerais no Brasil, Hyung Mo Sung. 
“Garantimos a abertura e o encerramento da Copa, pois temos o contrato do Itaquerão e a reforma do Maracanã”, diz. Além dos estádios em São Paulo e no Rio, a Zurich tem as apólices da Arena Fonte Nova, em Salvador, e do Mané Garrincha, em Brasília. A corretora de seguros MDS, controlada pelo grupo português Sonae e pelo brasileiro Suzano, espera um aumento expressivo na demanda por seguro-garantia. O grupo chefiado por Hélio Novaes, que fez carreira na Sul América, espera que suas vendas, que foram de R$ 25 milhões no ano passado, aumentem 20% neste ano. 

Para Novaes, o maior potencial estará nos contratos de exploração de petróleo na camada do pré-sal. “Existe vida depois da Copa e da Olimpíada. As obras emergenciais acabam, mas continuam os investimentos em infraestrutura e no pré-sal”, diz. A perspectiva de expansão não se restringe ao seguro vinculado exclusivamente à execução física das obras. Construtoras que disputam muitas licitações precisam apresentar recursos financeiros para se qualificar. E a modalidade de seguro-garantia que substitui as cartas de fiança bancárias também deve crescer muito. Como as fianças são operações de crédito e exigem capital dos bancos, custam mais que os seguros. “O mercado de seguro-garantia deve dobrar em cinco anos”, afirma Sung, da Zurich.

Fonte: Istoé Dinheiro
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26 julho 2012

À espera de um destino para os esqueletos de Porto Alegre

Infiltrações, estruturas debilitadas e muita sujeira. Assim podem ser definidos os esqueletos de Porto Alegre, prédios cujas obras foram interrompidas por algum tipo de problema, geralmente de ordem financeira. Mais do que meros tijolos amontoados, eles muitas vezes representam feridas expostas a céu aberto por anos a fio. Entretanto, a causa não está perdida. Existem alternativas no direito, arquitetura e engenharia que buscam mudar esse cenário.

“Hoje, as técnicas de recuperação estrutural estão muito avançadas. Para condenarmos um prédio, ele precisa estar com uma série de patologias construtivas graves”, atesta Mario Nasi, perito da Nasi Engenharia. Apenas em 2011, a empresa realizou laudos de mais de 50 prédios porto-alegrenses não finalizados ou em condições precárias. Um dos vistoriados foi o Edifício Galeria XV de Novembro, considerado um dos casos emblemáticos do município por estar inacabado há 56 anos. “Embora necessite de manutenção, o prédio é recuperável. Para isso, é preciso ter intervenções, como criar áreas de reforço e tratar a corrosão das armaduras”, explica Nasi. 

Apesar do veredicto da perícia, a revitalização do XV de Novembro exige o desate de um nó complexo em relação à propriedade do local. “Há mais de 300 números de matrícula, um para cada comprador da época”, destaca a procuradora-geral adjunta da cidade, Simone Somensi. Foram realizadas reuniões com representantes dos comerciantes da galeria e com Sérgio Figueiredo - uma das pessoas que detêm a posse a partir do segundo piso -, mas não houve consenso. “Por isso, o município estuda alternativas para o uso desse prédio”, completa Simone. Atualmente, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) está criando uma estratégia jurídica a fim de colaborar com uma solução para o espaço. A proposta se encontra na fase final de elaboração, mas não tem data definida para ser divulgada.

Os irmãos Marques, Sérgio e Sônia Figueiredo alegam ter comprado, em 1989, o edifício, com exceção do térreo, onde hoje funcionam estabelecimentos comerciais. A procuradoria municipal reconhece a posse do trio, mas faz uma ressalva. “Eles detêm a posse a partir do segundo andar e se declaram proprietários por força de um ato notarial, o que, para mim, não tem o efeito jurídico de transferência de propriedade. Eles não apresentaram matrícula no nome deles”, assinala Simone.

Paralelamente, a família Figueiredo diz estar em negociação com uma construtora para levar adiante um projeto de recuperação. A representante da PGM saúda o ingresso de um investidor e destaca que a prefeitura não interferirá em um provável desfecho favorável. “Caso não fechemos negócio, pretendemos vender alguns terrenos que temos em Torres para pagar a revitalização do prédio”, revela Marques, que habita e atua como corretor de seguros em um dos andares utilizados. Do quarto ao 19º pavimento, as entradas estão bloqueadas.

Excetuando o segmento onde Marques mora e trabalha, o estado de conservação da estrutura é deficiente. Teias de aranha e paredes infiltradas são facilmente perceptíveis nos corredores. Do lado externo, os tons verdes do limo e da vegetação crescente destoam com a cor laranja dos tijolos.

No momento, a intenção dos Figueiredo é vender o espaço, que de forma frequente é alvo de sondagens.

Recentemente, foi ventilado que a Caixa Econômica Federal havia comprado a área para construir residências. O banco, através de sua assessoria de imprensa, nega a transação. De concreto, houve um projeto apresentado pouco tempo atrás pela Brigada Militar para a criação de moradias populares. A iniciativa não prosperou.
Especialistas sugerem formas para resolver questão das obras abandonadas

Os esqueletos espalhados por Porto Alegre atiçam a imaginação dos arquitetos e urbanistas. O caráter desafiador de se consertar algo até então sem perspectiva move alguns dos profissionais das classes, gerando distintas interpretações e sugestões. Independentemente do cunho da retomada, seja comercial, residencial ou social, uma conclusão surge como consenso: não é por falta de projetos e ideias de reformulação que as iniciativas deixarão de ser realizadas. 

“O importante é que se tenha uma solução, seja para reformular ou desmanchar. Os esqueletos deixam a paisagem urbana muito ruim e uma sensação de que a cidade está incompleta”, define Jorge Debiagi, vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura seccional Rio Grande do Sul (Asbea-RS). Para reverter a situação, Debiagi defende a criação de uma legislação preventiva ao abandono de obra, algo que, para ele, ainda não existe.

O debate sobre o que fazer com obras inacabadas também chega à universidade. Há quem foque os estudos nos esqueletos, como o arquiteto e urbanista Marcelo Gotuzzo. O profissional cursa mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) com tese sobre iniciativas de comunidades em cima desses prédios. Inspirado em ações realizadas nos Estados Unidos e na Europa, ele acredita que as edificações inconclusas podem ser revitalizadas na forma de empreendimento social.

Desta maneira, os ambientes abrigariam iniciativas do terceiro setor e sediariam, por exemplo, cursos profissionalizantes. A gestão do prédio ficaria a cargo de um agente com experiência na realização de projetos filantrópicos, que abriria espaço para a atuação de entidades oriundas da periferia. “Há bastante prédios abandonados no Brasil, especialmente em áreas centrais das cidades, e muitas iniciativas de grupos que se organizam para diminuir as desigualdades. Na periferia, muitas vezes essas comunidades não aparecem”, constata. 

Os projetos também procurariam inovar no formato arquitetônico. “A ideia é usar elementos que, corriqueiramente, a gente não vê no mercado”, diz Gotuzzo. Atualmente, o Autogéré, como é chamada a iniciativa, analisa casos em distintas localidades do País onde seria possível executar a proposta.
Retomada de obras tem sido mais constante

Outro edifício no Centro de Porto Alegre que chama a atenção está localizado na avenida Júlio de Castilhos, ao lado da Igreja Universal. As fachadas estampam a disparidade de realidades. Ao lado de um suntuoso templo, verifica-se uma estrutura abandonada, enferrujada, pichada e cuja caliça caía na rua até meses atrás.

Há situações, porém, onde o reinício da obra é uma realidade. Algumas construções de décadas passadas foram retomadas após os moradores prejudicados decidirem levar a questão à Justiça. A advogada Lourdes dos Santos, do escritório Santos Silveiro, explica que, caso a maioria dos condôminos reivindique, há legitimidade ante a incorporadora para dar sequência à edificação.

Desde a falência da Encol, no final dos anos 1990, o escritório de Lourdes já liderou mais de uma dezena de retomadas, participando de toda a trajetória até se conseguir uma nova empreiteira para a obra. O trâmite, porém, é longo. “É uma equação que chega torta no início. Em um primeiro momento, não se percebe viabilidade. Mas, com um trabalho intenso de negociação, torna-se viável”, analisa.

Esse trabalho envolve uma série de etapas. Primeiro, faz-se uma radiografia do imóvel, verificando-se os motivos da paralisação. Depois, analisam-se as leis da cidade e o plano diretor vigente para vislumbrar possíveis alterações no projeto. Na sequência, buscam-se informações sobre as dívidas hipotecárias e os credores. Ao fim, arranjam-se acordos com a construtora e o agente financeiro que assumirão a responsabilidade. Em geral, a empreiteira contempla os adquirentes prévios e fica encarregada de comercializar os apartamentos restantes. Todas as arestas precisam ser aparadas até o barulho das máquinas voltar a soar.

Decretos podem encaminhar alternativas

No intuito de estancar a criação de novos esqueletos e encaminhar soluções para os existentes, os poderes Executivo e Legislativo de Porto Alegre começam a tomar algumas medidas. Desde o final do ano passado, dois decretos ligados ao tema foram sancionados.

A primeira das iniciativas recentes foi aprovada em 27 de dezembro de 2011. Na oportunidade, passou a vigorar a Lei Complementar nº 683. A proposição, de autoria do vereador suplente Reginaldo Pujol, estabelece, segundo o texto, “benefício de alíquota predial, o terreno cuja edificação não for concluída em virtude de falência do empreendedor ou de sua destituição por abandono de obra, tendo os adquirentes, em condomínio, assumido a conclusão da obra.”


Desta forma, a taxa do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) cobrada para a edificação com trabalho reiniciado é reduzida de 6% para, no máximo, 1,5%. Caso seja necessário, ainda é possível negociar uma diminuição do Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). “A lei é retroativa e serve como um estímulo ao construtor que assume a obra”, destaca Pujol.

A economia de custos é significativa se somado o tempo que geralmente leva o trâmite burocrático até a construção começar pela segunda vez. “Um processo rápido de retomada leva de seis meses a um ano. Nos casos mais complexos, o prazo para resolução pode passar de dois anos”, explica Lourdes dos Santos, advogada do escritório Santos Silveiro. 

O estado de conservação dos prédios se tornou mais um foco de atuação. Em abril, passou a vigorar o decreto que regulamenta a exigência de laudos de inspeção para edificações abandonadas e malconservadas. “O objetivo é garantir as condições de segurança do edifício para a população. O decreto sistematiza todas as ações a serem tomadas”, destaca o secretário de Obras e Viação, Adriano Borges Gularte.

O regulamento diz que obras inacabadas ou paradas há mais de 180 dias serão obrigadas a apresentar o documento. Após uma chamada, o proprietário tem 90 dias para providenciar os papéis. Caso contrário, cobra-se multa de R$ 300,00 a R$ 4 mil. Se as medidas necessárias não forem tomadas, a prefeitura as executa e, judicialmente, pede ressarcimento.

Negócio na planta exige cuidados extras do comprador

Com a expansão do setor imobiliário no Brasil capitaneada pelos incentivos habitacionais concedidos pelo governo federal, as reclamações às construtoras cresceram. Atrasos na entrega e propaganda enganosa estão entre as queixas mais frequentes. 

Menos recorrente, o abandono de obras é outro problema por vezes enfrentado. Seja qual for o motivo, os cenários remetem a uma questão poucas vezes lembrada pelos compradores: os cuidados necessários na hora de adquirir um imóvel na planta.

“É fundamental que o comprador peça o memorial descritivo, que especifica todos os itens do contrato de compra e venda. Além disso, toda documentação envolvendo a tratativa deve ser guardada, incluindo contrato, e-mails trocados com a construtora e até folders. Qualquer registro pode ser aproveitado depois como prova”, afirma Roberto da Silva Rocha, advogado com atuação no ramo imobiliário. Segundo Rocha, o principal obstáculo enfrentado pelos consumidores se refere ao prazo de entrega.

Até pouco tempo atrás, os construtores dificilmente figuravam nas estatísticas de órgãos de defesa do consumidor. Mas a situação tem mudado. De janeiro de 2010 até maio deste ano, apenas o Procon de Porto Alegre recebeu 135 reclamações de variados cunhos sobre 13 companhias. Maioria expressiva delas, 119, contra a Tenda.

Para se precaver de situações incômodas, o diretor institucional da Associação dos Moradores e Mutuários no Rio Grande do Sul, Anderson Machado, recomenda um planejamento por etapas antes de fechar negócio. O primeiro passo consiste em verificar o histórico da empresa, cercando-se de informações junto a outros compradores e meios de defesa ao consumidor. 

Na sequência, é importante analisar as especificações da planta do imóvel, como o tamanho e a localização de cada dependência. Por fim, quando da entrega da chave, deve-se considerar se a qualidade da construção corresponde ao que acordado inicialmente.

“As pessoas, muitas vezes, fazem o negócio na emoção. O corretor apresenta várias vantagens e o comprador acha tudo bonito”, constata Machado. O dirigente ainda lembra que, caso o adquirente se sinta lesado em função de um eventual atraso, ele pode solicitar reparação por danos morais e materiais por via judicial. “A carência pactuada por lei é de 180 dias. Então, se a obra atrasar mais de seis meses, o comprador pode recorrer à Justiça”, alerta.

Fonte: Jornal do Comércio
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03 julho 2012

Arquitetura faz bem a qualidade de vida e prioriza recursos naturais

Primeiro empreendimento residencial brasileiro com gerador próprio de energia eólica, o Neo Next Generation em Florianópolis foi buscar na ciência e na tecnologia os elementos que avalizam um caminho consistente de sustentabilidade, dentro das premissas de aproveitamento máximo dos recursos naturais de forma limpa e econômica.

Com localização privilegiada no bairro Novo Campeche, cercado de áreas verdes e com vista para o mar entre as praias da Joaquina e Campeche, o projeto arquitetônico do Neo que foi edificado a 300 metros da praia buscou o máximo de integração com a natureza – especialmente o sol e o vento -, gerando benefícios diretos à qualidade de vida dos seus moradores e uma economia real no seu futuro custo de vida.

Verdadeiras esculturas ao ar livre, as duas turbinas eólicas da Urban Green Energy, combinadas com painéis solares (não fotovoltaícos), localizadas no topo das torres, irão suprir 100% da água quente utilizada pelo condomínio a partir de energias limpas – sem uso de combustíveis fósseis – representando uma economia anual estimada em R$ 43 mil no consumo de energia elétrica do condomínio.

A autossuficiência na geração de água quente do projeto oferece aos futuros moradores um importante atrativo econômico. Se levarmos em conta que o aquecimento de água representa cerca de 50% de uma conta de luz residencial, temos uma redução proporcional no consumo total de energia elétrica de cada apartamento.

Mais do que detalhes estéticos, outros elementos como a boa utilização da ventilação e da iluminação natural dos apartamentos, somado ao desempenho térmico dos revestimentos formam um conjunto de requisitos técnicos, que se ajustam as premissas de economia e funcionalidade numa construção sustentável de perfil singular.

O Neo idealizado pelo arquiteto e urbanista Jaques Suchodolski em parceira com o escritório Arte Arquitetura, conceberam os dois edifícios com 12 apartamentos cada unidade, privilegiando a iluminação natural, a ventilação cruzada e a simplicidade nas formas, aliando funcionalidade com valorização estética em todos os ambientes.

Neste contexto, receberam destaque as tijoletas de revestimento externo, cuja estrutura e cor foram especificadas a partir de testes realizados em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, buscando o revestimento com melhor performance em termos de absorção de calor. Já a forma arredondada da cobertura é o elemento marcante da volumetria e fachada dos prédios, que faz composição integrada com a turbina eólica e os painéis solares, auxiliando no direcionamento do vento e do sol.

No espaço interno, o uso de esquadrias de PVC proporcionam conforto térmico e acústico nos espaçosos ambientes, que contam com grande abertura de janelas, combinando boa entrada de luz e uma vista privilegiada – todos os dormitórios possuem metragem mínima de 12 m2.
“Buscamos proporcionar em cada unidade a possibilidade de iluminação natural em todos os ambientes, bem como a ventilação cruzada, reduzindo com isso o futuro gasto energético com climatização, em grande parte do ano”, explica a arquiteta Márcia Barbieri, responsável pela Arte Arquitetura.

Na parte estrutural, os medidores individuais de água quente e fria, permitem ao morador monitorar a economia mensal, enquanto à adoção de um sistema de tratamento de efluentes, com a reutilização da água consumida para uso nos jardins e áreas comuns e o uso inteligente dos sanitários possibilitam a redução de 50% no consumo de água de todo o condomínio.

Somadas as economias com água e energia elétrica, em uma década os moradores do terão a oportunidade de economizar cerca de R$ 500 mil, além de se beneficiar financeiramente da integração destes geradores domésticos às redes elétricas das cidades – num sistema de desconto por excedente de produção de energia que acaba de ser implementado pela Aneel, um reconhecimento para micros e pequenos geradores de energias renováveis.

Com tantos benefícios diretos para os proprietários, hoje estima-se que um imóvel de reconhecido padrão com atributos de sustentabilidade tenha uma valorização estimada em 30% superior em relação aos empreendimentos similares que não possuam essa qualidade condominial com a economia de água e energia.

No que se refere às motivações pessoais para a escolha de uma moradia, o amadurecimento do conceito de sustentabilidade fez da arquitetura um dos principais vetores de transformação prática para as pessoas que desejam um estilo de vida onde morar bem significa estar integrado à natureza e tratá-la com o devido respeito, de preferência ao som das ondas do mar.

“O momento atual é palco de muitas reflexões. Estamos todos em busca de uma nova maneira de atuar num mundo em que os resultados nos mostram o quanto estamos ansiosos na forma de ocupar o nosso planeta, tanto nas relações humanas, quanto nas relações diretas com a natureza”, avalia Márcia.

Em fase final de construção – certificada com selo Carbono OK – e com entrega das chaves prevista para junho de 2012, os edifícios representam um exemplo a ser seguido por indústrias e shopping centers. O Neo já conta com um apartamento decorado, onde os visitantes podem constatar a qualidade dos acabamentos internos e o conforto proporcionado por todos estes detalhes que fazem a diferença no empreendimento.


Fonte: Obra24horas
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21 junho 2012

Voluntários avaliam Calçadas do Brasil: notas continuam muito baixas

Após a divulgação pelo Mobilize do levantamento Calçadas do Brasil, no final de abril, cidadãos de vários pontos do País aderiram à campanha e começaram a publicar avaliações no mapa das calçadas. Outros preferem se manifestar na seção Mobilize-se, registrando comentários e fotos dos caminhos de pedestres em suas cidades. É o caso de Manaus, Ananindeua/PA, Goiânia, Fortaleza, Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis, Recife, Salvador, São Paulo, Conceição do Castelo (ES), Guarulhos (SP), Teresópolis (RJ), Barreiras (BA), entre outras localidades.

Se a adesão é animadora, os resultados das avaliações revelam uma situação pior do que a registrada no levantamento realizado pelo instituto, entre fevereiro e abril. Os leitores reportam várias ruas e avenidas simplesmente desprovidas de passeios para pedestres, mesmo em grandes cidades e capitais, como Rio de Janeiro, Belém, Porto Velho e Teresina. Pior ainda são os relatos desses cidadãos sobre o descaso das autoridades para com as reclamações e pedidos de orientações.

De forma geral, as prefeituras insistem na tese de que a manutenção das calçadas é responsabilidade dos proprietários de imóveis. "As prefeituras jogam o problema para os cidadãos, mas não fazem sua parte, que é fiscalizar e punir, mas principalmente de orientar. Nas cidades mundiais que são referência, a calçada é parte do sistema viário e é projetada, construída e mantida pelas autoridades, dentro de alguns padrões de largura e regularidade do pavimento. Se a via de carros é mantida pelo poder público, por que as calçadas não o são?", questiona o coordenador do levantamento, Marcos de Sousa.

A campanha Calçadas do Brasil segue até o final de junho, quando os resultados nacionais serão consolidados em um documento para entrega às autoridades. "Vamos encaminhar os resultados aos ministérios públicos de cada estado, ao Ministério das Cidades e também a cada uma das prefeituras das cidades avaliadas. Nosso objetivo é a melhoria das calçadas em todo o País, de forma a estimular que as pessoas prefiram caminhar nas cidades e usar mais racionalmente os veículos motorizados. As cidades brasileiras não suportam mais tantos carros e motos", explica Ricky Ribeiro, diretor do Mobilize Brasil e um dos coordenadores da campanha.

Melhores e piores calçadas

O levantamento Calçadas do Brasil, primeira ação da campanha do Mobilize, revelou as condições de passeios públicos em regiões-chave de doze capitais do País: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Salvador, Fortaleza, Natal, Recife e Manaus.
Irregularidades no piso, largura, existência de obstáculos que dificultam a circulação, acessibilidade, sinalização e paisagismo foram alguns dos itens considerados no levantamento, que trouxe um ranking das melhores e piores calçadas do Brasil. O formulário utilizado pelos voluntários do Mobilize é o mesmo que está disponível no portal e que pode ser utilizado por qualquer cidadão que queira contribuir na campanha Calçadas do Brasil. Mais informações no site www.mobilize.org.br.


Fonte: Obra24horas
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29 maio 2012

Minha casa, minha vida será debatido no 84º Enic

Os próximos passos e os desafios do Programa Minha Casa, Minha Vida serão temas de destaque das plenárias da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC, por ocasião do 84º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), que ocorrerá no dia 28 de junho. No mesmo dia, a CII também abordará temas como Cartórios: procedimentos no registro de imóveis e cobranças de emolumentos. Já no dia 29, das 14h às 18h, a comissão proverá debates sobre o mercado imobiliário nacional e os desafios e as perspectivas de um novo patamar do mercado imobiliário.

Promovido pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e organizado pelo Sinduscon-MG e pelo Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), o Enic é o maior evento empresarial do setor do país e reunirá em três dias cerca de 1.500 empresários, representantes de diferentes órgãos do poder público e outros atores relevantes para o segmento.

Os participantes discutirão temas estratégicos como inovação, sustentabilidade, qualificação profissional, relações de trabalho, saúde e segurança do trabalho, qualidade, produtividade, parcerias público-privadas, responsabilidade social, obras públicas, financiamento imobiliário e questões relacionadas às cidades, como mobilidade urbana, dentre outros. Entre os palestrantes, o evento contará com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no painel do dia 28, às 11h.

Pela terceira vez em Belo Horizonte, o evento deste ano traz uma novidade que, espera-se, faça a diferença. “Em vez de imposta, toda a programação técnica está sendo discutida desde o ano passado com os representantes das entidades e principais empresas do setor de todas as regiões do Brasil”, explica André de Sousa Lima Campos, vice-presidente do Sinduscon-MG e presidente da Comissão Organizadora do evento.

O objetivo, segundo ele, é atender as demandas específicas prospectadas em cada localidade, captando assim, suas particularidades. “Acreditamos que essa interação pode proporcionar uma maior sinergia entre os envolvidos no evento, resultando em um maior ganho na participação, presenças e resultados. A partir desta concepção, cada participante poderá levar consigo resultados mais objetivos, algo de novo e produtivo a ser aplicado em seus negócios e áreas de atuação”, salienta André Campos.

O site do evento (www.enicmg.com.br) já está no ar com informações e inscrições para o encontro. A abertura será no dia 27 de junho, no Palácio das Artes, às 20h. A festa de encerramento, no dia 29, no Domus XX, terá a apresentação do cantor Diogo Nogueira com a participação de músicos mineiros.

As acompanhantes terão em sua programação um almoço preparado pelo chef Olivier Anquier e uma visita ao Centro de Artes e Museu Inhotim, o maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo, localizado na cidade de Brumadinho. As inscrições para o evento podem ser feitas até amanhã, 30 de maio, com desconto.





Fonte: Sinduscon-SP
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18 maio 2012

Casa de contêiner custa entre R$ 1.100 e R$ 3.000 por metro quadrado

A cidade de Balsa Nova (PR), a 50 km de Curitiba e próxima do rio (não do mar), foi o lugar escolhido pela professora de ioga Domicela Stanczyk para montar sua casa feita de contêiner - uma tendência que está engatinhando no Brasil e que vem sendo cada vez mais explorada por empresas de regiões portuárias no país.


Sala da casa contêiner da professora de ioga Domicela Stanczyk, em Balsa Nova (PR)
Sala da casa contêiner da Professora de Ioga
A professora teve a ideia há um ano durante uma viagem, quando passava por uma estrada entre as cidades de Las Vegas, que fica em meio ao deserto, e San Francisco, nos Estados Unidos, onde é encontrada uma maior quantidade de casas desse tipo.
A residência de Domicela tem 30 m² e foi feita a partir de um único contêiner marítimo de 40 pés. Segundo ela, a casa custou R$ 65 mil, incluindo as mobílias de sala, cozinha, quartos e banheiros, e levou 60 dias para ser erguida. "É uma construção limpa e rápida".


Perfil
Há diversas opções de revestimentos internos e externos. "Quem não gosta da estética industrial do contêiner procura técnicas construtivas propondo revestimentos que escondam aquele aspecto ondulado", diz Corbas.


Estrutura
O empresário Shemuel Shoel, do grupo IRS, conta que cerca de 70% da casa é montada dentro da empresa e 30% no terreno do cliente. "A gente faz a instalação hidráulica e elétrica no nosso pátio, antes da entrega. Quando chegamos ao terreno, há pouco a ser feito. É parecido com um bloco de montar".
Ele conta que os contêineres são transportados por caminhão, e as instalações ficam ocultas em paredes de dry-wall ou outros materiais de revestimento, e que é possível construir sobrados e fazer varandas com esse material.
A construção de uma residência varia de R$ 1.100 e R$ 3.000 por metro quadrado e o projeto arquitetônico custa, em média, R$ 65 por m². Por não ser necessário fazer fundações do mesmo tipo das casas de alvenaria, essas moradias custam de 20% a 30% menos que uma casa de tijolos e cimento.


Diversidade
A arquiteta Lívia Ferraro explica que há pelo menos dois tipos de contêineres usados na montagem de casas. O primeiro é o container marítimo mais comum, feito de aço corten, muito resistente à corrosão. Nesse caso, é necessário fazer um isolamento térmico e acústico para que haja conforto equivalente ao de uma casa comum. Normalmente, usa-se uma tinta especial externa, que reduz a absorção do calor, e materiais como lã de vidro e similares para manter a temperatura interna.
O segundo tipo de contêiner citado por Lívia é o "reefer", que tem um isolamento original de poliuretano e é usado para transporte de carga congelada. "É o dobro do preço do outro, mas oferece melhor custo-benefício", compara.


Conforto
Há outros fatores que influenciam no conforto da casa. Danilo Corbas, arquiteto que projetou a casa de Domicela e sua própria morada feita de contêiner em plena Granja Viana, na zona oeste da capital paulista, explica que, antes dos isolantes térmicos, deve-se dar importância ao posicionamento dos cômodos em relação ao sol, regime de ventos e ventilação cruzada --e presença de árvores e vegetação.
Foi o caso da casa de Domicela. "Não quis ter ar condicionado. Meu interesse era ter uma casa de campo, com contato com a natureza. Por isso, não quis nada artificial".
Segundo Corbas, o perfil dos moradores desse tipo de casa são pessoas que têm condições de consumir um design diferenciado. "Fotógrafos, publicitários, alguns jornalistas, artistas plásticos e pessoas interessadas em sustentabilidade", enumera. Há ainda quem está mais interessado na economia que esse tipo de construção pode gerar.
Assim como a professora de ioga, grande parte das casas de contêiners são projetos construídos para veraneio, na praia ou no campo, segundo Shoel. "A média dos nossos projetos (para uso residencial) varia entre 120 m² e 150 m²". Ele conta que há projetos no interior de São Paulo, Goiânia e Rio de Janeiro.







Fonte: Folha.com
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17 maio 2012

Depois da urbanização, imóveis em favelas paulistanas valorizam até 900%

O condomínio 2 do Residencial Heliópolis 1 é composto por nove edifícios de forma cilíndrica nos quais a cor é elemento da arquitetura
Residencial Heliópolis é composto por nove edifícios de forma cilíndrica nos quais a cor é elemento da arquitetura

Em 1980, os moradores do Residencial dos Lagos, à beira da Represa Billings, na zona sul de São Paulo, precisavam mentir o endereço do lugar onde moravam para ter alguma chance de serem contratados nas entrevistas de emprego. O mesmo ocorria em Paraisópolis e em Heliópolis, as duas maiores favelas de São Paulo, também na zona sul, e no Jardim São Francisco, na zona leste, cujos barracos de madeira, iluminados por gatos que roubavam a luz dos postes, cortados por ruas de terra sem rede de esgoto, eram cenários de um ambiente violento, com taxas elevadas de assassinatos.


As melhorias decorrentes das lutas sociais das décadas passadas, que se transformaram em investimentos em infraestrutura, ajudaram não somente a amenizar o preconceito contra os moradores das favelas como também serviram para valorizar fortemente o preço dos terrenos nas comunidades que receberam investimentos públicos. "Barracos" viraram "imóveis" e os preços dispararam até 900%.

No Residencial dos Lagos, que começou o processo de urbanização em 2008, uma casa de três quartos, sala e banheiro, que anteriormente era alugada por R$ 200, hoje custa R$ 700. É difícil encontrar aluguel nas favelas por menos de R$ 400 - valor do bolsa-aluguel pago pela prefeitura para aqueles que são removidos de barracos em área de risco.

Mas o preço para a compra dos imóveis também disparou, chegando a se multiplicar por dez. Casas de quatro a cinco cômodos, que antes da urbanização eram vendidas por R$ 15 mil a R$ 20 mil no Residencial dos Lagos, hoje não são vendidas por menos de R$ 100 mil, podendo chegar a R$ 150 mil. "E mesmo assim é difícil encontrar quem queira vender porque ninguém vai querer sair daqui", diz a líder comunitária Vera Lucia Basália, integrante do comitê gestor do processo de urbanização local.

Sem medo. Em Heliópolis, a valorização segue a tendência de alta. Um imóvel de dois quartos, sala e cozinha, que em 2002 era alugado por R$ 280, atualmente sai por R$ 800. O preço de venda passou de R$ 20 mil para R$ 100 mil. "As pessoas tinham medo de entrar aqui e o estigma de favelado era muito forte e prejudicial. Hoje Paraisópolis está inserida na cidade", diz Paulo Henrique da Silva, que mora no bairro há 28 anos e estuda Contabilidade na FMU do Itaim-Bibi. Quando ele mudou para lá, Paraisópolis tinha 3 escolas. Hoje, são 15. "Ontem, na universidade, uma colega me perguntou se eu morava na favela. Se fosse no passado, eu ficaria constrangido. Hoje sinto orgulho e sei que qualquer estranheza é desconhecimento por parte dela."

Fonte: Estadão.com.br
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