“A gente consegue fazer a obra em um quarto de tempo de uma obra convencional economizando em 80% de resíduos e a emissão de carbono, com o dobro de conforto térmico e acústico, com quatro vezes menos mão de obra e com uma garantia muito maior de orçamento porque a obra é toda industrializada”, afirma um dos sócios da Tecverde, o engenheiro civil Caio Bonatto, de 26 anos.
Para tornar isso possível, Bonatto conta que foram feitas diversas pesquisas de tecnologia em vários lugares do mundo até encontrarem, na Alemanha, o que queriam. Mas o trabalho dos sócios não foi apenas importar a tecnologia. Eles a adaptaram para a realidade brasileira após uma série de estudos.
“Eu acho que adequar a tecnologia à cultura do brasileiro foi crucial para o sucesso”, explica Caio Bonatto. Ele exemplifica que uma casa sustentável, de médio a alto padrão de 200 metros quadrados, leva entre três e quatro meses para ficar pronta, enquanto a mesma casa de alvenaria demora de 12 a 18 meses para ser concluída, de acordo com o engenheiro. O valor da casa construída sustentavelmente é de aproximadamente R$ 360 mil – o mesmo preço de uma construção convencional com o mesmo tamanho e padrão, segundo o engenheiro.
“A casa é toda construída de uma forma industrializada e com personalização total na arquitetura. A parede é feita com uma estrutura de madeira autoclavada com isolamento térmico e acústico entre essas madeiras. Uma chapa de madeira de OSB, que é uma chapa estrutural, dá a resistência a impacto na parede e possibilita que se fixe móveis, rede, o que se quiser na parede, igual a uma casa de tijolo. Uma película controla umidade e vapor da casa para evitar qualquer tipo de incidência de mofo ou umidade. E uma chapa de cimento faz o revestimento final, em cima dessa chapa de cimento pode aplicar o revestimento que quiser, também igual em uma casa de alvenaria: textura, cerâmica, grafiato, pintura”.
O Prêmio Nacional de Inovação, oferecido pela Confederação Nacional da Indústria, entregou na terça-feira (23), uma premiação à iVERDE, braço da Tecverde criado em 2012 para desenvolver e licenciar tecnologias. A empresa recebeu o prêmio na categoria “Modelo de Negócio”. “A gente montou outra empresa, trouxe uma pessoa de fora para presidir essa empresa. A gente está fazendo parcerias com institutos de tecnologia do mundo inteiro. Trazendo tecnologias para o Brasil e adaptando à nossa realidade. A gente está licenciando para que as construtoras ou as indústrias utilizem essa tecnologia por elas mesmas”.
“A gente tem tido bastante sucesso porque trouxemos uma novidade que é de pulverizar a tecnologia no mercado, não ser dono exclusivamente dela e não ter medo de compartilhar a tecnologia”, afirma. Outros prêmios foram conquistados, em 2012, entre eles um internacional, o Prêmio Internacional Hermès de l’Innovation 2012, concedido com o apoio do Instituto Europeu de Inovação e Estratégias Criativas e do Clube de Paris de Diretores de Inovação. “Somos a menor empresa e a mais nova empresa a receber esse prêmio, pelo potencial de impacto na construção civil com novas tecnologias”, declara.
Fonte: Engenharia Estrutural e Construção Civil
