Apesar da revisão, as empresas têm mostrado otimismo crescente nos últimos meses. Segundo termômetro mensal da associação, após um "bom" mês em agosto - 56% das indústrias avaliaram dessa forma o desempenho das vendas -, 62% delas indicaram que acreditam na manutenção desses parâmetros em setembro. Em julho, esse índice havia ficado em 44%.
Além disso, 74% das empresas de materiais de construção disseram em agosto que pretendem investir nos próximos 12 meses. Em julho, essa mesma resposta havia sido dada por 70% das indústrias.
Responsável por cerca de 22% das vendas da indústria de materiais de construção no país, o setor de infraestrutura tem avançado em ritmo mais lento do que o esperado em razão do atraso em obras, sobretudo na esfera pública. Dificuldades para obtenção de licenciamento, entre outras, segundo Cover, têm postergado o início de obras e, consequentemente, a compra de materiais de base, como aço e cimento.
Não à toa, em 2013, a Abramat vê expansão de 2,5% nas vendas desse tipo de material de construção, enquanto os itens de acabamento - como cerâmicas e tintas - deverão fechar o ano com crescimento de 5,5%.
Esse descolamento já aparece nos números da indústria no acumulado até julho, período em que a taxa de expansão geral, na comparação anual, foi de 3,7%. No intervalo, as vendas de materiais básicos subiram 2,5% e, em 12 meses até julho, mostraram alta de 0,8%. Já em materiais de acabamento, a taxa de crescimento de janeiro a julho ficou em 5,8% e, em 12 meses, em 4,9%.
Conforme Cover, enquanto o segmento de infraestrutura anda meio de lado em 2013, os negócios no varejo e no segmento imobiliário seguem acelerados. Responsável por cerca de 50% das vendas da indústria de materiais de construção no país, o varejo deve mostrar expansão de 7% neste ano. Já no segmento imobiliário, que contribui com aproximadamente 28% das vendas, o crescimento deve ficar entre 1,5% e 2%.
Jogam a favor da indústria o câmbio - favorável às exportações -, a disponibilidade de crédito, o nível de emprego e a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que chegou ao seu quinto ano consecutivo. O pleito da indústria, neste momento, é por nova prorrogação para 2014 - conforme Cover, o setor está otimista e acredita que o governo poderá a anunciar a medida nas próximas semanas.
Especificamente em julho, o faturamento total deflacionado das vendas de material de construção no mercado interno cresceu 3,3% frente ao mês anterior e 3,6% na comparação anual. Já o nível de emprego ficou praticamente estável, com alta de 0,1% em junho e queda de 0,9% na comparação anual.
No segmento de materiais básicos, permanece o reflexo do menor ritmo do setor de infraestrutura. Em julho, as vendas cresceram apenas 0,7% ante o verificado no mesmo mês de 2012 - porém subiram 3,6% frente a junho. Por outro lado, as vendas internas de materiais de acabamento avançaram 7,8% em julho, frente ao mesmo mês do ano passado, e 2,8% ante junho.
A percepção dos empresários quanto "ao ritmo na execução das obras das novas concessões em infraestrutura e ao estado geral da economia", conforme Cover, explica o fato de a maior parte das empresas, ou 71%, estar indiferente quanto às ações do governo para o desenvolvimento do setor no médio prazo. Em julho, 60% das empresas se declararam indiferentes.
O nível atual de utilização da capacidade instalada da indústria é de 83%, 1 ponto percentual acima do índice verificado no mês passado.
Fonte: Valor Econômico
