11 dezembro 2012

Imóveis em Liquidação

Se há bolha ou não, o fato é que nenhum estouro ocorreu até agora. Os preços dos imóveis continuam a subir, embora em ritmo mais compatível com o da inflação. Mas, mesmo nesse cenário ainda ligeiramente aquecido, os consumidores conseguem comprar um apartamento ou uma casa nova com até 30% de desconto. Contradição? Nada disso. Tampouco se trata do início de uma queda generalizada. A freada na forte valorização ocorrida nos últimos anos é que fez vir à tona novamente os “saldões” e as vendas promocionais.

Hoje, além das liquidações pontuais, os descontos do setor assumem formas variadas. Entre as mais recentes estão os chamados "outlets" imobiliários, que funcionam de modo semelhante aos clubes de compras on-line. Os portais exibem por um tempo determinado, em geral até 60 dias, lançamentos com preços em média 5% a 10% menores, mas que podem chegar a ficar até 30% abaixo da tabela.

A mágica do preço menor passa pelo estoque das incorporadoras. Unidades não vendidas ou devolvidas geram custo, como condomínio, impostos e taxas, para as companhias. Por isso, as empresas, em geral, oferecem bons descontos para repassar o mais rápido possível essas casas, apartamentos ou escritórios. Esse encalhe dos lançamentos fornece a matéria-prima dos outlets. Do outro lado, para as incorporadoras, os portais se tornam vitrines das promoções, uma espécie de saldão mais discreto do estoque de imóveis.

Existem no país quatro serviços desse tipo, quase todos abertos há poucos meses, com exceção do PromoImoveis, lançado em 2011. RealtOn e Homes4Less surgiram neste ano, enquanto o ImoveisOutlet foi anunciado, mas ainda não está no ar. "Temos parceria com dez incorporadoras, que acharam uma excelente ideia para fazer com que o estoque delas baixasse", afirma o sócio-fundador da Homes4Less, José Luis Ribas. No modelo de negócios, a remuneração vem da comissão, entre 4% e 6% sobre o valor das vendas. As ferramentas virtuais oferecem imóveis de quase todas as faixas de preços, de R$ 200 mil a R$ 4 milhões. No entanto, a maior busca tem sido por propriedades entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. "A maior parte do meu público tem buscado imóveis acima de R$ 500 mil. Mas, cada vez mais, estou com busca por casas e apartamentos acima de R$ 1 milhão", diz Ribas.

Os descontos, porém, não são uniformes. Os mais agressivos são raros e os negócios, em geral, fechados com preços até 10% menores. O comerciante Baltazar Lisboa, de 42 anos, tem frequentado assiduamente os outlets imobiliários, mas ainda não encontrou a oferta dos seus sonhos. "Achei muito interessante os serviços. Mas tem de garimpar para encontrar uma ótima oportunidade. Para mim, o ideal seria ganhar 20%. Não tenho pressa. Vou continuar procurando", afirma.

Melhor sorte teve o empresário Antonio Scagtino, 38 anos, que encontrou, por meio de um outlet virtual, uma oportunidade. "Já estava procurando há três meses um imóvel na faixa de 60 a 80 metros quadrados. Até que finalmente achei na RealtOn um apartamento que já tinha visitado antes, mas com 25% de desconto."

O empresário adquiriu a propriedade de dois quartos e uma suíte no Panamby, na zona Sul de São Paulo, para locação. Scatigno já pensa em outras aquisições. "Tenho interesse de comprar outros imóveis para investimento. Tem lugares que vão valorizar ainda, como bairros mais afastados", avalia.

O CEO da RealtOn, Rogério Santos, vê os investidores como principal público dos serviços virtuais. "Hoje, 60% dos nossos clientes são pessoas que procuram bons negócios para investir." Segundo o executivo, a média dos descontos conseguidos é de 15%. Os preços mais baixos têm sido um chamariz eficiente: com menos de um ano de funcionamento, o serviço já efetuou 400 vendas pelo site e por telefone, de acordo com dados da empresa.

Os preços muito baixos, no entanto, podem esconder características às vezes indesejadas. "Coberturas, uma localização na face sul, no primeiro andar. São unidades mais difíceis de comercializar e tendem a ganhar descontos maiores", explica Ribas, da Homes4Less.

Os melhores preços dependem da localização, do perfil do imóvel, do tempo em que a unidade está em estoque e da forma de pagamento - quem tem dinheiro para pagar à vista consegue mais vantagens. Propriedades de alto padrão, como apartamentos de quatro ou mais dormitórios, são apontados pelos especialistas como aqueles com maior potencial de atingir preços mais baixos.

Se o objetivo é investimento, não basta conseguir um bom desconto na compra. É necessário analisar se o imóvel tem um potencial de valorização capaz de dar um retorno atraente ao investidor. Como em todo investimento, não basta comprar 'barato'. É preciso conseguir vender 'caro' para ter um bom lucro.

Fonte: Obra24horas