"A instabilidade da economia não tem afetado nem lançamentos nem vendas da Trisul", diz o diretor comercial e de marketing da incorporadora, Ricardo Stella. O mercado está mais seletivo, conforme o executivo, mas o cliente está comprando imóveis. No segundo trimestre, os lançamentos da Trisul ficaram em linha com os do mesmo período do ano passado. O VGV poderia ter sido superior, mas conforme Stella, um projeto que estava previsto não recebeu as aprovações a tempo.
As vendas da Trisul cresceram ante o segundo trimestre de 2012 e ao primeiro trimestre. O desempenho resultou dos lançamentos e das campanhas de vendas de estoques. A Trisul não lançou nada no primeiro trimestre.
A Rodobens Negócios Imobiliários lançou "um pouco menos" no segundo trimestre do que no mesmo período de 2012, mas acima do VGV do primeiro trimestre, conforme o diretor-presidente da empresa, Marcelo Borges. Assim como a Trisul, a Rodobens esperava lançar mais de abril a junho, mas não obteve todas as aprovações de projetos para isso. "Parte dos lançamentos do primeiro trimestre foi postergada para o segundo, e parte do segundo ficou para o terceiro trimestre", diz Borges.
As postergações não estão relacionadas a mercado, conforme o executivo da Rodobens. As vendas da empresa cresceram ante o segundo trimestre de 2012 e ante o primeiro trimestre. "A piora da situação econômica ainda não afetou a demanda nas regiões em que estamos - interior de São Paulo, Centro-Oeste e Nordeste", diz Borges. Segundo ele, nas condições atuais, o planejamento da Rodobens está mantido. Borges disse não esperar deterioração da economia, mas que, se isso ocorrer, pode haver retração de demanda e redução de lançamentos, pois "o setor vive de confiança".
Segundo o vice-presidente financeiro da Cyrela Brazil Realty, José Florêncio Rodrigues, até o momento, os planos da companhia permanecem inalterados. "Enxergamos um momento saudável do mercado", diz Rodrigues.
A EZTec mantém sua previsão de lançamentos para o segundo semestre e para 2014, assim como a compra de terrenos para os projetos. "Se, em três meses, o cenário se deteriorar, vamos repensar a operação. Mas, por enquanto, vamos manter o previsto no início do ano", afirma o diretor financeiro e de relações com investidores da EZTec, Emilio Fugazza.
Segundo o executivo da EZTec, não há nenhum impacto das turbulências nas vendas da empresa, que aumentaram ante o segundo trimestre de 2012 e ante o primeiro trimestre. De abril a junho, a EZTec lançou R$ 431,8 milhões, com aumento de 116% na comparação com o segundo trimestre de 2012 e expansão de 114% ante o primeiro trimestre. No semestre, o crescimento do VGV lançado chega a 110,5%, para R$ 723,9 milhões.
Os lançamentos das incorporadoras de capital aberto, no segundo trimestre, por meio da Brasil Brokers, ficaram em linha com os do mesmo intervalo de 2012 e superaram os do primeiro trimestre, conforme o vice-presidente de operações da companhia, Julio Piña. Conforme o executivo, a participação das incorporadoras listadas em bolsa nas vendas de lançamentos da empresa caiu de 55% no primeiro semestre de 2012, para 39% de janeiro a junho deste ano.
Isso se deve, de acordo com Piña, ao fato de algumas das incorporadoras abertas terem vendido menos, aumentado a comercialização por suas empresas próprias de vendas e saído de parte dos mercados em que atuavam, abrindo espaço para concorrentes de capital fechado. Segundo o executivo da Brasil Brokers, o ritmo de vendas do mercado está "um pouco mais lento", mas há demanda.
Na concorrente Lopes, os lançamentos das incorporadoras de capital aberto no segundo trimestre foram maiores que os do mesmo período de 2012, conforme a diretora-geral de atendimento, Mirella Parpinelle. Ela cita que, na comparação com o primeiro trimestre, quando foi lançada parcela maior do empreendimento Jardim das Perdizes, os lançamentos de abril a junho ficaram "um pouco menores". O Jardim das Perdizes foi o principal destaque dos novos projetos apresentados na cidade de São Paulo no primeiro semestre.
Segundo a representante da Lopes, a situação macroeconômica do país não tem afetado a demanda por imóveis, nem levado incorporadoras a postergar planos de lançamento. Mas, conforme a executiva, parte das incorporadoras que buscava apenas a consultoria de vendas da Lopes tem procurado também a consultoria de projetos. "Algumas empresas estão escutando mais o mercado", diz Mirella.
Fonte: Valor Econômico
