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23 agosto 2013

Como a construção civil tem enfrentado a crise

A construção civil cresceu ininterruptamente entre 2007 e 2011, segundo a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A preservação do crescimento no auge da crise global deveu-se, segundo a Paic, à oferta ampla de financiamento para habitação, à liberação de recursos para infraestrutura pelo BNDES, ao crescimento do emprego e da renda familiar, ao maior consumo das famílias e à manutenção da desoneração do IPI de insumos da construção.

Destacaram-se, no período, as tendências de aumento do valor dos salários e remunerações pagos ao pessoal empregado, maiores investimentos com aquisição de terrenos e edificações, melhoria na distribuição regional do investimento imobiliário, além da queda do peso relativo das obras de infraestrutura. São tendências que aparecem com menos pormenores em outras sondagens, feitas na área privada.

Entre 2007 e 2011, o valor das incorporações, das obras e dos serviços no País aumentou de R$ 130 bilhões para R$ 286,5 bilhões, mais que dobrando em termos nominais e com alta real de 63,1%. Em 2011, entidades estatais contrataram 38,3% das construções (uma queda em relação aos 41,2% de 2007), ficando 61,7% com o setor privado.

No período, o número de empresas ativas do setor passou de 52,9 mil para 92,7 mil e o pessoal contratado, de 1,57 milhão para 2,66 milhões. Os salários e retiradas evoluíram de R$ 19,3 bilhões para R$ 49,8 bilhões - e a participação deste item no conjunto de custos e despesas da indústria da construção se elevou de 19,1% para 20,8%. Isso comprova o quanto a mão de obra foi beneficiada pelo aumento da atividade.

Entre os investimentos realizados, o item terrenos e edificações ampliou a participação de 18,6% para 24,2%, o que dá uma ideia da valorização das áreas edificáveis.

O pior comportamento registrou-se nas obras de infraestrutura: o peso do segmento na receita bruta caiu de 45%, em 2007, para 41,4%, em 2011. Enquanto isso, cresceu o peso da construção de edifícios (de 38,2% para 39,5%) e de serviços especializados (de 16,8% para 19,1%).

A infraestrutura - em que predominam grandes empresas - enfrenta graves problemas, originários do loteamento político do setor público, do planejamento ruim e do desperdício de recursos. A perda relativa de participação indica o custo dos problemas para a população, que demanda infraestrutura decente.

Fonte: O Estado de São Paulo
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22 agosto 2013

Setor de máquinas quer ampliar desoneração

O panorama da produção de máquinas e equipamentos industriais no Brasil não é bom. Com um faturamento estável nos últimos anos, margens de lucro cada vez mais apertadas e aumento do custo da força de trabalho, o setor precisa de mudanças para que não entre em processo de desindustrialização.

Esta é a avaliação da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que está se reunindo com as bancadas e administrações estaduais por uma política mais ampla de desoneração da folha de pagamento – que já atinge parte dos fabricantes do setor – e um corte de parte do ICMS incidente na compra de equipamentos. 

De acordo com o vice-presidente da Abimaq, Carlos Pastoriza, há anos a política de fomento ao consumo e o real valorizado perante o dólar estão minando a competitividade da indústria nacional de máquinas. 

“A desoneração funciona como um paliativo necessário, mas temos de trabalhar por um menor custo logístico e financeiro”, afirma. Para o executivo da Abimaq, o ideal da indústria seria trabalhar com um dólar acima dos R$ 2,30. 

Pastoriza também prega uma política pública de incentivo ao consumo de máquinas com alto índice de conteúdo nacional. Atualmente, esta exigência existe para a aquisição de máquinas pelo Finame, linha de crédito do BNDES para compra de equipamentos industriais e agrícolas. “Uma política interessante seria exigir que as máquinas adquiridas para as obras públicas ou de concessões também tivessem conteúdo mínimo nacional. Isso acontece nos Estados Unidos com sucesso”, afirma. 

Ele defende que a sugestão não é protecionista. “Queremos isonomia com os produtos importados que não existe nas atuais condições”, completa. 

Produtividade 

O ritmo lento no setor preocupa. A indústria de máquinas e equipamentos serve como parâmetro para o ânimo da atividade industrial para os meses futuros. A impressão é endossada pelo ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, que disse à revista Veja que a indústria nacional perdeu competitividade em função do aumento do custo unitário do trabalhador. “Se o salário sobe 10% e o total produzido por trabalhador também subisse 10%, não existiria aumento de custo”, disse Pastore. No entanto, desde 2010 o custo da mão de obra aumentou 15%, sem que a produtividade acompanhasse o mesmo ritmo.

Fonte: Fórum da Construção
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16 agosto 2013

Consumo de bens de capital cresce acima do previsto no 2º tri

O consumo aparente de bens de capital no segundo trimestre surpreendeu ao manter ritmo expressivo de crescimento. Segundo estimativas de economistas consultados pelo Valor, a produção nacional de máquinas e equipamentos, descontada a exportação e somada à importação desses itens, subiu entre 1,6% e 3,7% entre abril e junho na comparação com os três meses anteriores, feito o ajuste sazonal. Esse desempenho é um forte indício de que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas e construção civil) aumentou novamente no período, depois do salto de 4,6% observado na abertura do ano.

O comportamento acima do esperado do investimento no segundo trimestre, no entanto, não gerou expectativas mais otimistas para 2013. Com queda da confiança espalhada por todos os setores da economia em julho, mas concentrada na indústria, e câmbio em nível mais depreciado, a avaliação é que os incentivos concedidos pelo governo não serão suficientes para animar os empresários a investir e, assim, quase todo avanço da formação de capital físico no ano - cujas projeções variam de 3,7% a 7,5% - virá da herança estatística deixada pelo primeiro semestre.

Sócio e economista da JGP Gestão de Recursos, Fernando Rocha calcula que a importação de bens de capital caiu 0,7% entre o primeiro e o segundo trimestres, já descontadas as influências sazonais, e a exportação desses produtos recuou 6,3%, desconsiderando-se resultados atípicos provocados pela venda contábil de uma plataforma de petróleo em junho. Divulgada pelo IBGE, a produção doméstica do setor subiu 3,9% na comparação trimestral. O resultado dessas variáveis, segundo Rocha, foi uma alta de 3,7% da absorção interna de máquinas de abril a junho, o que aponta para aumento de 3,1% da formação bruta no período.

O economista já trabalhava com variação positiva do investimento no segundo trimestre, mas afirma que a magnitude do crescimento registrado não estava na conta. Segundo ele, os estímulos - com juros negativos para a aquisição de máquinas, equipamentos e caminhões nas linhas de financiamento do BNDES - continuaram a impulsionar a demanda por esses bens, o que, porém, não deve continuar a ocorrer. "O investimento está desconectado do resto da economia, mas isso vai se reverter no curto prazo", diz Rocha, para quem a intensa retração na confiança dos empresários é um prenúncio de que a atividade terá uma "virada forte", e para baixo, no terceiro trimestre. Nesse cenário, afirma, não faria mais sentido tirar projetos da gaveta.

Para Aurélio Bicalho, do Itaú Unibanco, o consumo aparente de bens de capital se expandiu em 1,6% na passagem trimestral, o que indica alta entre 2% e 3% da formação bruta em igual comparação, ritmo ainda considerado bom pelo economista, mesmo com alguma perda de fôlego frente ao primeiro trimestre. A dúvida, diz Bicalho, é como esse componente do Produto Interno Bruto (PIB) vai evoluir daqui para frente, diante da perda de força de alguns fundamentos importantes para o investimento.

Além do mau humor do empresariado, o economista do Itaú menciona o dólar mais alto, que encarece a compra de máquinas importadas, como fator de contenção da formação de capital físico. A maior volatilidade cambial observada no período recente, acrescenta Bicalho, também afeta negativamente os investimentos, assim como o ciclo de aperto monetário ainda em curso, que eleva o custo do capital. Nesse ambiente, ele projeta que a formação bruta vai crescer menos no próximo trimestre, podendo voltar a encolher.

Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, argumenta que há um excesso de pessimismo em relação à conjuntura atual, já que os dados do segundo trimestre mostram que os investimentos seguiram em ritmo. Em seus cálculos, o consumo doméstico de bens de capital cresceu 2% ante os primeiros três meses do ano, com ajuste, enquanto a FBCF deve subir 3,6% nessa comparação. Segundo Borges, a alta disseminada da produção do setor, puxada pelos incentivos, teve influência positiva sobre o investimento no período, assim como um desempenho favorável da construção civil, que tem peso de cerca de 45% na formação de capital físico.

A diluição dos protestos ocorridos em junho, uma expansão maior do PIB no segundo trimestre e o sucesso dos leilões de concessão em infraestrutura podem evitar que o desânimo dos empresários contamine a economia "real", diz o analista. Mesmo assim, o cenário da LCA para o investimento no segundo semestre é de estagnação, devido ao real mais desvalorizado. Em um segundo momento, Borges afirma que a depreciação cambial não atrapalha tanto os investimentos, mas, no curto prazo, a mudança muito rápida e acentuada do patamar da moeda americana encarece e inibe a compra de maquinário importado.

Ao contrário de Borges, o estrategista-chefe da Santander Asset Management, Ricardo Denadai, sustenta que a maior desconfiança em relação ao cenário econômico será o principal impedimento ao investimento na segunda metade do ano, após a alta prevista de 3,5% da formação de capital físico no segundo trimestre - número melhor que o imaginado no início do ano.

Denadai calcula que o consumo aparente de bens de capital saltou 11,8% de abril a junho sobre igual período de 2012, variação que não deve se repetir daqui para frente. "Seria difícil manter esse ritmo de qualquer modo. Com a queda da confiança, a cautela com as decisões de investimentos fica ainda maior."

Segundo Rodrigo Baggi, analista de bens de capital da Tendências Consultoria, cerca de metade da alta de 13,8% da produção do setor registrada no primeiro semestre veio do segmento de veículos pesados, concentração explicada pelas safras recorde, que elevaram a venda de caminhões, e os juros reais negativos do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES.

Fonte: Valor Econômico

Esses dois fatores, contudo, terão efeito cada vez mais limitado ao longo do ano, avalia Baggi. "A sensação que temos é que 2013 será um ano composto por dois semestres muito diferentes. No primeiro, entramos com o pé no acelerador, mas daqui para frente existe uma desconfiança muito grande com relação ao crescimento."
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01 julho 2013

A vez e a hora do mercado empreendedor no Nordeste

Com o fortalecimento da economia e a atração de investimentos estrangeiros, o Brasil segue no ritmo de novos negócios e oportunidades. E um dos setores mais promissores é o mercado empreendedor (formado por pequenas, médias e até grandes empresas não reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários). Nos últimos anos, muitas companhias buscaram cultivar uma mentalidade estratégica e capacidade necessária para impulsionar o crescimento da receita e se aproximar de uma base de clientes mais ampla ao explorar novos mercados. Em troca, já começaram a colher resultados significativos com impactos positivos para o País.

Crescendo em ritmo mais acelerado que a média nacional e com o segundo maior PIB do País, a Região Nordeste tem grande potencial de crescimento e já ocupa um lugar de destaque na economia brasileira. Neste cenário, as oportunidades do mercado empreendedor têm crescido a passos rápidos, estimuladas pelas melhorias previstas como a construção da nova refinaria de petróleo e gás, realização da Copa do mundo (com o desenvolvimento dos setores alimentício, turismo, hotelaria, logística, transportes), aumento da taxa de crescimento regional acima da média nacional, fortalecimento da classe média, entre outros. Com isso, as empresas do mercado empreendedor têm se tornado parcela relevante da indústria regional, principalmente, no que se refere à geração de empregos e renda e ao desenvolvimento de novos serviços e negócios.

Podemos notar que o fortalecimento do mercado empreendedor trouxe também uma mudança de perfil das empresas, principalmente, as de origem familiar que estão buscando se desenvolver em um ambiente de negócios competitivo. Nesse movimento de reconfiguração, muitas começaram a perceber que esse é o cenário para que possam crescer rapidamente e ganhar espaço mesmo em regiões distantes ou pouco visadas. Apesar de fazerem parte de um mercado não regulado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), elas estão buscando profissionalização e competitividade, bem como se adequar às normas fiscais, contábeis e trabalhistas para que possam atuar dentro da legalidade. Ainda fazem parte desse processo a construção de uma estrutura de governança corporativa, priorizando um plano de sucessão e profissionalização da empresa, abrangendo a implantação de sistemas, processos, controles internos e desenvolvimento de talentos e habilidades.

Do outro lado, o governo oferece algumas formas de deslanchar o acesso dessas empresas às formas de captação de novos recursos para projetos futuros visando estimular a entrada no mercado. Duas fontes de financiamento criadas especificamente para este setor são oferecidas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e pelo Bovespa Mais (segmento da Bolsa de Valores brasileira dedicado às empresas de menor porte). Tudo isso faz parte de um movimento de fundos de investimentos, bancos, associações de classes, governo e CVM na busca tornar mais viável e prático o acesso dessas empresas ao mercado de capitais.

Em comparação com os outros países, o Brasil ainda tem uma grande fatia de crescimento voltado para o mercado empreendedor. Acreditamos sim que esse é o momento para que as empresas, principalmente, da Região Nordeste possam crescer e mostrar a sua importância e peso para a economia brasileira.

Fonte: Administradores
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21 junho 2013

BNDES abre diálogo com sindicatos da construção civil e pesada

BNDES abre diálogo com sindicatos da construção civil e pesadaO diretor de infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guilherme Lacerda, afirmou em reunião com a ICM e organizações afiliadas que o banco precisa estar mais presente nas questões relacionadas ao mundo do trabalho e demonstrou disposição em manter o diálogo com as entidades sindicais para avançar nas discussões sobre contrapartidas sociais nos financiamentos de projetos. “O BNDES pode e deve dialogar com as entidades sindicais, pois é um patrimônio de todos os brasileiros e tem que ter muita responsabilidade social”, disse.

Como primeira ação nesse sentido, Lacerda pediu às entidades que encaminhem à instituição os problemas de riscos laborais e trabalho precário que são constatados nos projetos financiados pelo banco. Também estaria de acordo que a ICM pleiteasse ao banco exigir das empresas brasileiras financiadas no exterior, o mesmo comportamento exigido no Brasil, a exemplo do Compromisso Nacional para o Aperfeiçoamento das Relações e das Condições de Trabalho na indústria da Construção. 

A reunião realizada na cidade de São Paulo contou com a presença da Diretora Global da ICM Fiona Murie, que integra Grupo de Trabalho do Banco Mundial e do BID sobre o tema Responsabilidade Social, e Clóvis Scherer, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), além do Representante Regional da Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM) para América Latina e Caribe Nilton Freitas e dirigentes de organizações afiliadas no Brasil.

Para Fiona Murie, o BNDES tem contemplado nos critérios para financiamentos o respeito aos direitos humanos e os direitos fundamentais do trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como eliminação do trabalho escravo, do trabalho infantil e a não discriminação, mas falta contemplar os direitos sindicais, como o direito à liberdade sindical e o direito à Convenção Coletiva. Tais cláusulas já são obrigatórias nos contratos de outros bancos multilaterais de desenvolvimento, como o Banco Mundial e outros treze bancos nacionais que integram o GT de responsabilidade social. “A ICM tem trabalhando muito para convencê-los da necessidade de contemplar não só o produto de infraestrutura, que traz benefícios importantes para a sociedade, mas também as condições de emprego e os objetivos sociais no processo de construção dos projetos. E não é qualquer emprego, é trabalho decente, com bons salários, com horas de descanso proteção à saúde, segurança e igualdade de oportunidades”, destaca Murie.

Avaliação dos sindicatos

Os dirigentes mostrarem-se otimistas com os resultados da reunião. “Essa aproximação do movimento sindical com o BNDES é muito importante, havia uma distância muito grande entre nós. Acredito que isso trará muitos benefícios em relação aos direitos dos trabalhadores nos projetos”, comentou Ademar Araújo, da FETICOMP SP.

O presidente do STICC de Cuiabá, Joaquim Araújo Santana, ficou entusiasmado com a abertura demonstrada pelo diretor do BNDES. “Vimos que as nossas demandas serão ouvidas, tanto em relação aos critérios de financiamento como no monitoramento dos projetos. Também ficou claro que poderemos contar com as informações do BNDES para que o nosso trabalho seja realizado”.

Na avaliação do presidente do SINTEPAV-Bahia, Adalberto Galvão, foi extremamente importante a vinda do BNDES à reunião. “E mais importante ainda foi a abertura da possibilidade de continuarmos dialogando e apresentar as nossas reivindicações para serem entronizadas a um rol de preocupações e procedimentos do BNDES”, pontuou o dirigente.

Fonte: Mundo Sindical
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